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A mostrar mensagens de Maio, 2006

Sorrisos amordaçados

O segredo encontrou caminho até mim, pela noite amordaçando o medo, que silenciava a noite e dava voz à imaginação, chamou-me do fundo dos sonhos onde me encontro ausente e deu-me um abraço longínquo e cansado. Os degraus flutuaram na arcádia e os sorrisos, errantes, deambulavam de face em face enquanto não acordava a rispidez, dialogou com as paredes caiadas de mãos sem gente, serpenteou nos ângulos da rigidez e assobiou, como criança traquina em olhar de imaginário nas mãos vazias do ardina. Há cenários cujas peças nunca iniciarão, há actores cujas vestes nunca utilizarão, há rostos cujos sonhos nunca sorrirão e isto amordaça meu coração…

Tardes diluídas

As mãos sobre o dorso de um animal cansado, assim é a vida em mim. O pulsar das nuvens que rasgam o céu, o latejar da terra molhada no Verão, o dia calado e inquieto, acordado pelo latir sussurrado de cães vadios de carinho, assim é a noite em mim… As faces, sempre as faces, fechadas sobre elas, prenhes de ânsia e medo, alegria e dor, coragem e desalento, cândido confidente assim é o vento em mim. As mãos secas, gretadas pela terra arada e as silvas que despontam ao desafio, as vozes desconhecidas em faces familiares que se cruzam comigo, os lúgubres muros que albergam murmúrios meus em tardes de criança, quão longe vai o fio de Ariadne que partiu sob o peso de um voo que sorriu, ainda elas, as mãos, vazias de fugaz e de vida que fui, porque cheias de sonhos. Assim é a desilusão que me dilui…

Pause

Pousei a bagagem e a vontade de ser criança, dos caminhos repetidos e cansados pendiam rugas e fuligem, há estradas que cruzam o horizonte na distância de duas lágrimas...

Canoa doutra imensidão

As faces encontraram-se, até as mãos vazias fitaram a noite, que subia escondida dos olhares soturnos que atacam em pleno dia. Somos mais que uma canoa vaga e fugaz, onde o horizonte é o verde dos olhos frustrados, que mais além é o mundo dos sonhos. Na canoa transporto pão, uns quantos passos por mergulhar e um sorriso, que nem o peso do dia sobre as nuvens pretas consegue retirar. Sou do mundo adormecido, as mãos seguem o reflexo da vida nas ondas deste lago de ilusões, os olhos cansados miram ainda (ainda…) a centelha de solidão que carrega a noite. A vida, ah, a vida não é mais que um infinito, dentro doutra imensidão. Há quem lhe chame coração…

Casta de solidão fugidia

Os meus posts podem, eventualmente os últimos, levar alguém a pensar que perdi a esperança no mundo e nas pessoas... Nada disso... Apenas olho, cansado, e admito, talvez pela primeira vez, que afinal o caminho não é tão plano ou isento de obstáculos, mas sim tortuoso que, penso, apenas uma "empreitada" diferente poderia modificar... Mas isso são outras histórias... A agressividade com que as pessoas defendem os seus pontos de vista, leva-me a pensar que, de facto, talvez estejam a defender a segurança que sentem à sombra de determinado ideal e não o ideal em si... Mas isto, também, pertence a outro stock de histórias... Hoje dei por mim a ver o telejornal, e eis que surge a notícias que todos aguardam... Vêm aí os incêndios, sim, os incêndios! A nova brigada da GNR está a postos, os bombeiros (o sindicato, porque os bombeiros propriamente ditos, esses "só" andam lá "vida por vida") não gostam, uns dizem que vai ser melhor o combate, outros que será pior

De profundis

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Ia deitar-me, mas esta vontade ou necessidade de escrever algo chamou-me aqui, ao computador... Quando eu pensava que não se podia descer mais baixo, eis que a espiral descendente dá meia dúzia de tropeções e estende-se ao comprido... Andei um pouco a pé (está frio como o chêbas) e isso permitiu-me colocar algumas ideias no sítio... Acho que a noite tem um efeito em mim como a água das pedras, as bolhinhas vão subindo até chegarem ao topo e rebentaram. Isso acontece-me, nomeadamente com várias ideias e pensamentos... Confesso que tenho uma má digestão para o que de (muito) mau se vê por esse mundo fora, o que faz com que tenha que sair, olhar a Lua e digerir da melhor forma... As reacções são, por vezes, díspares; o resultado podem ser umas lágrimas, umas sonoras gargalhadas ou uns tímidos sorrisos, um arroto bem português e ficamos por aqui ;) O barómetro da sociedade tem como fundamentos alguns pressupostos que me deixam se não perplexo, pelo menos atónito (ora aqui está um ex-l

De nossa alma

Creio que foi a primeira vez... Sim, foi, de facto, a primeira vez que escrevi algo por "encomenda", algo meu, para transmitir sentimentos de outros em relação a outros... Complexo, não é? À falta de um postal para entregar num casamento ao qual ia minha irmã, ofereci-me para fazer um poema... Inusitado... Deitei-me na cama comecei a escrever. Conheço bem a minha irmã, tal como conheço a pessoa para quem era o poema, são amigas desde crianças e eu acompanhei o crescimento de ambas, o que facilitou a saída da mente para a infância delas e o acompanhar dos trajectos para a escola primária, a frequência de escolas diferentes em determinada altura, a partilha de sonhos, belos, e os restantes elementos inerentes à maioria das pessoas, amigas... Fechei os olhos e lá estava eu, na mente de uma, na mente de outra... As palavras nem sempre conseguem exprimir o que se sente, muito menos quando se tratam de sentimentos de outras pessoas, experiência sempre subjectiva... Solução? Compr

Noites tresmalhadas

Tinha na visão um mar, salgado, com lágrimas prenhes de gritos a sufocar. Os braços, pendentes no desânimo, acompanham o cair do dia nas sombras que a desilusão cria ao acordar. As letras, longas companheiras, ficam mudas respeitosamente, não há vida que cresça no deserto que é um coração vazio, nem abraços imaginários que mutilem a dor e acalmem estes vultos, que são das noites tresmalhadas o pastor. Esboço e caio a vida numa matiz plausível, "cor dos sonhos!" chamam-lhe as estrelas na esteira da Lua que sorria, pois mesmo cansado todo este corpo meus olhos decidem ver sempre a alegria. Tresmalhadas minhas mãos, vazias, voaram sobre o silêncio e calaram a noite, galgaram veredas e enseadas, para que as palavras morrentes dedilhadas em Sol fossem mais que uma canção. Talvez, talvez o silêncio e o sorriso que acordam a constelação onde nasceu, sejam, apenas, um ténue farol abandonado, para quem de si se perdeu...

Folhas vagas

Parados, enlameados pés rescindem com o sonho, que brilha agora noutros olhos e alimenta algures alguém. A voz no cansaço, ofegantes encontram-se a caminho da vida, reciclados, pelas melodias trémulas e silenciadas por um dedo, quase veneradas, quase amortalhadas. O círculo aperta mentes fabricadas e vozes inconstantes e alertas, salivam-se palavras, que caem e batem num murmúrio aflito ainda abertas no frio chão de folhas de plátano. E enquanto a mim não chegam novas faces de gente, velha e puída, guardo na retina o tacto das mãos quentes na vida fria...

Esclarecimento (e a verdade)

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Longe de mim pretender incutir algum cunho religioso, místico ou parassintético :) a este blog... Postei o texto anterior porque na sua essência é belo, verdadeiro e real e, talvez por isso, tenha o condão de despertar bons e menos bons sentimentos nas pessoas. A verdade tem este poder, arrebata-nos, procurámo-la, mas sempre com a particularidade de só a desejarmos se, de facto, for a nosso favor... Quem não conhece pessoas que não vão ao médico, apenas porque têm medo de descobrir que têm alguma doença? Verdade? Nops, apenas ignorância... Quem não conhece pessoas que se refugiam nos seus dogmatismos, apenas porque a verdade (uma nova verdade) pode destruir os alicerces com que construiu o seu mundo? Olhando para trás, retrospectivamente, na história humana, contemos: de quantas verdades absolutas foi o homem feito? Nenhuma... No entanto, comportámo-nos como se tudo o que sabemos neste momento fosse o auge da procura do ser humano enquanto civilização, enquanto que há algumas décad

Discurso do Dalai Lama

Esta noite, gostaria de falar convosco sobre a importância da bondade e da compaixão. Ao discutir esses temas, não me vejo como budista, Dalai Lama ou tibetano, mas sim como um ser humano e espero que vocês, no auditório, pensem em vocês mesmos dessa maneira. Não como americanos, ocidentais ou membros de um determinado grupo, pois essas condições são secundárias. Se interagirmos como seres humanos, podemos chegar a esse nível. Caso eu diga "sou monge" ou "sou budista", as afirmações serão, em comparação com a minha natureza de ser humano, temporárias. Ser humano é básico. Uma vez nascido assim, não se poderá mudar até à morte. Outras condições, ser ou não instruído, rico ou pobre, são secundárias. Hoje, enfrentamos muitos problemas. Alguns são criados essencialmente por nós mesmos, com base em diferenças de ideologia, religião, raça, situação económica ou outros fatores. Chegou, portanto, o momento de pensarmos em níveis mais profundos. Em nível humano, condiç

Pseudo-conquistas

Está tudo tão habituado a querer grandes conquistas, que não reparam nas pequenas oportunidades que levam às grandes ( e verdadeiras ) conquistas.

Obrigado

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Dou por mim sentado, como sempre, a olhar para o monitor e a sorrir. As ideias vão passando à minha frente e eu leio-as, revejo-as, algumas estavam já esquecidas. Outras fazem-me emocionar serenamente, de alegria. Fico perdido entre o que vejo e tento escrever tudo ao mesmo tempo, num só parágrafo, mas não consigo, porque mal começo a escrever algo, surge nova ideia e/ou episódio associada/o e tento fazer a conexão, saltando de uma história para outra, num enredo digno de uma novela, dessas novas que se fazem, que duram catrafadas de anos... Vejo todas as imagens e por vezes sinto-me como se as visse no final desta etapa... Penso no que mudaria em relação a tudo o que fiz até aqui, mas também no dia-a-dia ( é um bom exercício para antes de dormir ). E em certas ocasiões o que mais receio é não ter feito o melhor que podia... Todos damos o nosso melhor, pelo menos acredito que assim seja, e todos vemos que poderiamos ter feito melhor em determinada situação, mas é sempre sob a luz do

Até já

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Podia ser plágio ao slogan da tmn, mas não é... Passo o dia, ou melhor, os dias a anotar histórias que não são histórias, são apenas situações que vejo, na esperança de vir aqui, ao blog, e digitar alguma coisa... De facto, por vezes acontece, mas são mais as vezes em que não consigo escrever, seja por falta de inspiração ( ou seja, quando expiro ) ou por falta de tempo ( que pode ser entendido como desorganização )... Algumas histórias, apesar de anotadas, não têm história e permanecem apenas como título no meu caderno. Outras possuem, se não carne e osso, alma. Abro o caderno, coloco o título no blog e ali vou eu, mergulho numa espécie de espiral e aterro no local ou situação que anotei, depois saio, novamente em espiral, desta vez acompanhado pelas personagens e trazendo comigo os locais e cenários ( hum, talvez isto explique a sujidade que por vezes encontro por aqui ) para o meu lado. Depois, bem, depois as personagens após eu narrar o que vi, ganham vida e salta da minha histór