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A mostrar mensagens de Abril, 2008

Pontos corridos

Moldei os sentidos ao sal de mares que nunca chorei, esperei, parti e cheguei aonde nunca tinha respirado, fora de tempo e de deuses em orvalho esculpidos. Variante, na característica quase adjectivada de traços contínuos e faces de pessoas, quase gente. O suor nunca derramado, o peso aflito de uma vida que se morre e me percorre, ora aqui (silêncio), apenas aqui onde repouso um corpo de trapos que esvoaçam como eu nos píncaros do destino (suspiro), um ponto corrido após a história, o final que antece o início e me devolvo à origem. Eu não sou um porto, ... sou vertigem...

Sete Sóis

É um pouco contra o que quer fazer. Escrevo apenas para sentir a chuva. Deitado na cama, com o barulho das gotas e do vento ao meu redor, não consigo senti-lo, tenho que estar aqui, a olhar para as letras, que surgem como magia. Tenho que olhar para os meus dedos para perceber que eles é que estão a premir as teclas que a minha alma dita. Não tenho muito mais para escrever. Aos poucos, sem grandes floreios "poetísticos", vou-me resignando à estrada, às ervas molhadas e curvadas que não posso tocar, ao trigo e centeio que crescem nos campos e pelos quais não posso correr, à claridade falsa de um monitor que vai sendo o meu dia-a-dia. Vou estar por fora, volto mais tarde. Até lá, fica aqui uma pequena história escrita para o Norberto e seus alunos para o dia mundial do livro. *** Um sonho li(n)do Ouço choramingar. Do meio de uns troncos velhos, cortados, chega até aos meus ouvidos um choro baixinho. Vou até lá. Sentado num velho pedaço de madeira, um pequeno ser olha pa

Sexta, a feira da semana

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Votos tradicionais de boa sexta-feira... O tempo está mau ou bom, dependendo dos gostos de cada um (aprendi isto com Anthímio de Azevedo ontem, na Antena 3 no programa do Alvim). Escrevi uma pequena história ontem, infantil para crianças grandes, a convite do Norberto para o Dia Mundial do Livro... Depois de dia 21 coloco-a aqui no blog. Não tem dado para escrever muito, de facto não tem dado para escrever nada... Apenas histórias improváveis na minha mente, que ascendem da alma ao pensamento, apenas para me turvar os dias com lágrimas de açucar e sal. Gosto de escrever mentalmente, deixar espalhadas histórias no ar, para que alguém um dia as aproveite, plante e sonhe, quem sabe o futuro pomar da minha vida será uma livraria para crianças? Deixo uma fotografia (no final), de há duas semanas, aquando da ida ao concerto do Mark Knopfler no Campo Pequeno... *** Chovia e fiquei contente por ver o arrumador levantar o braço. Ia poupar-me à tradicional procura de local para estacionar. Estac

Um sorriso, nada mais

Gosto de me surpreender. Isto é um facto. Gosto de sentir que me engano quando julgo alguém, pela primeira vez, de forma errada. Não gosto muito de me surpreender a ter pensamentos (como os julgamentos de primeira vez), que pensei já ter erradicado ou, pura e simplesmente, perder a calma no trânsito ou, pior ainda, junto das pessoas que amo, sem razão alguma (excepto a própria estupidez que me assola de vez em quando). Gosto de me surpreender. Além de um facto, é uma estupidez estar a repetir o que escrevi no início do primeiro parágrafo, mas é um pequeno luxo, o rir de mim mesmo, ao qual me posso entregar. No domingo dei uma entrevista! Queria colocar uma fotografia desse momento, mas não tenho forma de fazer download da fotografia (falta-me o cabo e o leitor de cartões ficou no escritório). O meu sobrinho, Pedro ( amigo/sobrinho 5 estrelas, que brilha mais do que todas as outras do Universo ), telefona-me há dias: "Oh Zé Miguel" (maior parte das pessoas, principalment

How long

Não podia adiar por mais tempo. Chega a ser doloroso não escrever, falar e ouvir tudo o que se vê e vive. Fez já uma semana desde que fui nuns três dias de puro relax, que cansaram o corpo, mas aliviaram a mente. Não sei bem porque gosto da música (e em especial das letras) de Mark Knopfler, desde os tempos do "Brothers in arms" (ainda com Dire Straits) e até "Kill to get crimson", o último albúm. Fascinam-me as histórias por detrás de cada canção, cada verso e, por vezes, de cada palavra. E as letras acabam por se complementarem com os arranjos musicais, o que me causa uma certa inveja, pois apesar de ter um cavaquinho e uma viola, pouco (ou nada) sei tocar. A semana do concerto foi vivida quase sem me aperceber, o trabalho acaba por aglutinar-me os pensamentos, que voam para longe do concerto e dos 3 dias de "férias". Mas chegou sexta-feira e, talvez pela primeira vez em quase 30 anos, os meus pais tiraram uns dias de férias, comigo, Ana e Anabela...

Cada lugar sem tempo

Faço do nada religião, adormeço-a ao lado de cada sonho que repousa na minha mão. O calor das portas e das palavras com nomes, o bronze e dourado das mãos, sempre das mãos, que teceram cada lugar sem tempo, nas cascatas do pudor e espartano rigor, há almas minhas que ainda não reconheci. Cansei o olhar e mesmo a noite respira ofegante, ata-me o pulso o pulsar que a vida ainda acomete a quem de si mesmo é amante. No dia que nunca acorda, na noite, escrita, por luzes sombrias, eu estou no ocaso e tu, sonho, estás nos dias...

Bom fim-de-semana

Não estranhes se não responder a um comentário ou ainda se não escrever nada este fim-de-semana... Vou até Lisboa, ao Campo Pequeno, ao concerto do Mark Knopfler. Quando vier retomo a escrita, "agora é que vai ser". Bom fim-de-semana. Fica bem, Miguel