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A mostrar mensagens de Junho, 2022

Alecrim

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 “Alecrim”, para ler no Correio do Porto, a minha crónica na secção "Crónicas do Nada". ( https://www.correiodoporto.pt/prioritario/alecrim ) Conto os quilómetros que ficaram para trás e mesmo com o planalto talhado a sombras de nuvens disformes, não deixo de pensar que o caminho faz-se sem sair do local. No monte disseste que basta a cada dia seu mal. Compreendo-te. Torno a atenção para o tracejado da rodovia e aos nós dos dedos no volante, alvos, enquanto passa por mim uma auto-caravana onde na traseira putos desenharam um cartaz: “se é feliz, buzine”. Buzinei. Sou feliz e nem eu próprio o sei. Existo e, mesmo assim, não hei. Não havia nada para ver no ermo passageiro onde os estrepes, cortados de fresco, eram a única coisa que arrefecia a paisagem. (só a metáfora nos permite sobreviver ao que chove da ágora). As viagens pelas terras que não florescem gentes ganham um cunho de visita ao abandono, as paredes que ainda não caíram são lápides onde estão inscritas os quilómetro