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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2008

Quase lá

- Tens escrito no blog? - Nops - respondo... Não sei bem porquê. Falta de tempo? Digamos que o tempo nunca falta quando sabemos que o temos. A verdade é que não sei bem porquê, é um torpor, um emudecimento vazio, como os dias de nevoeiro, em que mal vemos o chão que pisamos. Passos os dias a escrever mentalmente, a passar por locais e situações e a deixar, no local, impregnado, alguns pensamentos que desejo recordar mais tarde. Ficam ali, a flutuar, algumas vezes perdidos entre pensamentos de outras pessoas, a murmurar entre eles "quando é que ele nos vem buscar?". E, mais tarde, passo lá e recolho-os, seja como pensamentos, seja como um sorriso de alguém que os apanhou antes de mim. Gosto de ler os comentários, no blog ou pessoalmente, de pessoas que passam aqui, no blog e não deixo de pensar e de achar curioso as diferentes interpretações que cada um dá ao que escrevo, ao que lêem. Não, não sou taciturno ou vejo apenas o lado mau (mas existe lado mau?) da realidade do quot

Cat e golias

Dou por mim a pensar (hoje concedo-me a este luxo) e a escrever um pouco aqui, no blog. Não consigo deixar de tentar perceber porque razão (e para onde) estamos todos a correr... Não consigo, por muito que me esforce. Visto de fora, o panorama actual é engraçado, somos formiguinhas ordeiras, correndo sem saber para onde, basta uma começar a correr numa direcção e todas as outras seguem... Mas o que pretendemos atingir? Qual a finalidade? Hoje de manhã passei por uns putos a caminho da escola... Fez-me recordar os meus tempos de garoto, onde havia tempo para achar engraçado uma nova espécie de aranha ou tentar perceber se o poço recém-descoberto era muito fundo. Ainda consigo emocionar-me a ver um luar como o de ontem, tentar contar quantas vezes abana a Farrusca o rabo por minuto, ver as nuvens como hoje de manhã, numa tonalidade sem tom e imaginar-me saltar de uma em uma até chegar ao Sol... Entrar no trânsito é uma aventura, a estrada transforma-se facilmente em local de agressi

Sulcos abandonados

São dos lírios o meu olhar, o vaguear, o sorrir ao vento que uiva nas encostas do meu alento. Estão na passada primeira que ergue da terra, a poeira, eis quem de mim me pede a vida no respirar, deixo-te o claro cerrado da minha sede adormecida nos teus olhos, o luar. Leva-me brisa as sombras para o horizonte e de lá me fite o destino, não há um suspiro sobre a cinza e água corrida sob a ponte, que leve o pleno da saudade de um campo, sozinho. --- A falta de tempo para escrever um pouco mais (e melhor) deixa-me assim, como hei-de dizer, "desconsolado", mas como para tudo há um tempo, eu não sou excepção... Tu não sabes, mas quando vou a locais bonitos, com os quais me identifico, levo comigo muitos dos olhares que pousam aqui... Espero que gostes. É quase fim-de-semana e, claro, eu desejo-te um cheio, daqueles em que acordamos cheios de sonhos e dizemos para nós próprios: "vou realizá-los... hoje!"

Juventude intemporal

Fico feliz, muito feliz, por ter crescido a ver, ouvir, sonhar e poder correr entre árvores imaginando todas as aventuras que uma pequena caixa a preto e branco me trazia... Consegues ver sem sorrir inocentemente e largar uma pequena lágrima de saudade e conforto por ter isto dentro do coração? O maior segredo era (é) ser tão feliz, com tão pouco.

Primaverno

É sintoma que os tempos mudam, estas noites de Invernos e manhãs de Primavera, fazem-nos pensar que não somos nós que estamos a mudar, a Natureza adapta-se aos nossos próprios ciclos... Creio mesmo que esta espécie de auto-destruição ambiental é sintoma da Natureza a adaptar-se à nossa auto-destruição enquanto espécie (não, não acordei de mal com o mundo). Mas eu gosto deste tempo... O dia quente passa-me um pouco ao lado, porque passo os meus dias num escritório sem janela, saindo para serviços ocasionais na "rua" ou para almoçar, mas a manhã e a noite são perfeitas para mim. A manhã acorda fria, aquecendo facilmente, eu percorro os quilómetros que me separam em direcção contrária ao Sol, o que faz que este reflicta nos espelhos e me aqueçam a cara. Devo ser a única pessoa que se ri disto, porque no trânsito não vejo mais ninguém a sorrir. As crianças na paragem de autocarro espremem-se por uma nesga de Sol e riem-se... Um ou outro cão corre pela estrada atrás de um osso no

Por instantes

Por instantes, vim aqui, no meio de uns bits, sinais eléctricos, cabos de programação e outra panóplia de utensílios que têm feito o meu quotidiano. Recentes comentários feitos por antigos alunos no meu hi5 têm contribuído para eu reflectir sobre várias coisas, entre elas as palavras que vamos proferindo em determinado momento, quando somos nós mesmos, sem sabermos muito bem por quê, mas que saem cá de dentro. Não tenho tempo para colocar aqui os comentários, fá-lo-ei depois, não por uma questão de ego, mas por perceber (agora sim) o impacto daquilo que podemos dizer e ser quando somos (passe a redundância) nós mesmos... Nenhuma palavra, proferida com amor ou ódio, fica em vão e, de facto, tudo retorna a nós próprios, seja em forma de um olá terno e ameno no coração, seja um pontapé frio na boca... E este post porquê? Bem, além das razões supracitadas, para reflectir e agradecer a quem tem passado aqui e me tem plantado sementes de tranquilidade no olhar. Os vossos comentários são

Um abraço

O tempo não é aquilo que pensamos, tão pouco o que já ouvi (o tempo somos nós que o fazemos). O tempo vai talhando, esculpindo, desbastando e desbravando aquilo que em nós existe e não conhecemos... E quando conhecemos, mas não queremos ver, trata de nos atirar à face as arestas dos nossos próprios ângulos... Por outro lado (agradavelmente) trata de nos ventar com carícia todas as folhas de Outono que perdemos e julgamos esquecer. Tenho a meu lado um sonho, daqueles que viveram e continuam a viver ainda que para lá do que vejo. Fala-me de um sonho sem fronteiras, umas paredes erguidas a um céu baixo com nuvens húmidas de candura e estrelas que parecem pintadas nas pálpebras dos meus olhos fechados. Fala-me das paredes, das pinturas dos amigos, dos abraços dados e nunca perdidos, dos beijos que espelham um pouco do carinho das estrelas por nós. Sussurra-me do bem-estar, do encontro com o esquecido, da lei de não ter leis, dos risos das crianças com cores de arco-íris, das passadas r