2011-11-17

- Daqui ao outro lado de nós. 
- Como? 
- Dando saltos bem altos. 
- Como? 
- Assim, oh, hop! Hop! hop! 
- Ah... E depois 
- Do outro lado de nós até aqui. 
- Como? Aos saltos? 
- Não, escorregando.

2011-11-15

Tive o tempo como aliado, nas infinitas tarde ao relento, quando me brindava a idade com ternos e suculentos pomares de brincadeiras. Hoje caminha-se para o que não se sabe escrever, ladeia-se o mundo com taipais e erguem-se perpendiculares muralhas que impedem a obtusidade de se exprimir. Hoje sou o tempo e nele me saliento, para que lentamente se encontre um aliado, porque hoje, apenas hoje, o relento sentou-se a meus pés e começou a brincar desajeitadamente, como se nunca me tivesse visto devanear.

2011-11-13

Teria o vento na mão, se não estivesse ocupado a abraçar tufos de sonhos ou suportando-me na grade de madeira de um alpendre imaginário enquanto cai, dentro e fora, chuva real... De onde serão os ventos que sopram? Do intrincado caminho que se faz caminhando ou dos serões solitários solicitados pela vida? O que me resta é deste e doutros universos, descansando por fim num vazio, num nada, num estado de não existência que se dilui a cada madrugada solta. Ser daqui e de lado algum. Olhar e ver o que não se observa. Ser e não ter. Não há questão.

2011-11-07

Um empoleirado sorriso acotovela-se à saída da imaginação,
traja olhos de quem não vê,
pleno
e ausente
amordaça o grito redomizado,
dois vezes quatro
sorriso que dialogam
sem que o tempo novamente dobrado
bata à porta de outro universo
e diga
sou eu?
Sim, era.
nem todos os sois amanhecem
o asfalto que se aglomera transmuta-se
janelas para o homem
o aviso circular que circunda
obrigatório
e eu prevarico
pela inocência
de amanhecer o sol que há-de morar

2011-11-05

Sou de barro, a mão,
o fogo,
a porcelana,
o vitrificado momento
em que ascende o artesão
e descansa,
ebulindo,
o dia que se aninha ao canto
de uma canção.

2011-11-04