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A mostrar mensagens de Novembro, 2012
Senti a tua falta, um dia, porque me esqueci de mim, e de sonhar, também, com todas as estrelas que vidrei na superfície de uma vida que não artesanaste.  Saberás a chuva, de um dia frio, enquanto eu vou esgrafiando na pele uns poemas à força, como quem cicatriza, sorvendo e aguardando, ao som do fontanário, que o tempo faça a mim o que fez às vides.  Vinho e néctar, entre comas, entre e coma, que tudo é deglutido entre cada por-do-sol, como quem nos pincela da mesma forma, sem se aperceber aguarela, ele e ela. Um dia a estrada não terá fim, o tempo conduzirá o silêncio até se cansar de estar calado, com e ao lado de um entardecer que, também cansado, vai tardando que se faz cedo, demais, para voltar no tempo e ser, de um cais, o sentimento. Saberás o saber. Por isso, apenas e só, valerá a pena.
É enquanto, e aos poucos, que o inconformismo chega que do lado de lá do muro a paisagem se ergue, como que nascendo pelo telhado, naqueles que sonham com um motivo diferente para viver. O dia amanhece todos os dias e, no entanto, para tantos, nunca a noite se levantou cansada dando lugar ao sol.
É pela longa sombra de Outono que o Inverno vai subindo, grau a grau, até passar de raspão pela gente e pedir um pouco de calor em forma de abraço.
Sinto-me com nada e é como este que dou tudo, atrás de um espinho o olfacto de um pinheiro que, de fraga em fraga, me faz lembrar o tempo que chegou ainda antes do primeiro.