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A mostrar mensagens de Junho, 2010

Deuses vadios

Encosto-me às notas do piano, soltas, pelo murmurar do calor e do silêncio a retorcida figura no horizonte cai, o erguer de um ganido jaz a meio da poeira e do abandono, na vida não há escravos apenas deuses vadios sem dono...
Se me dizem que as pessoas fogem de "Trás-os-Montes" porque lá não há Nada, porque razão ando à procura lá de algo que me faça Tudo? Vi-me hoje, do lado de lá, duas vezes, agarrado a um vinhedo a podar e sentado na beira de um fontanário a molhar a maçã que pedi "emprestado" num pomar... Encontrei-me duas vezes. Estou agora com as mãos meladas da videira e um sabor agradável a maçã verde na boca...
Parado, a chuva teima em cair na Primavera, ouço-a rir das vozes "isto é tempo para este tempo?", os carros empurram a água da estrada contra o passeio e ali, de repente, já eu sou barra, a estrada mar e o areal o estendal onde deixo a secar as folhas breves que escrevi e ainda não as sei, por serem apenas minhas.