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A mostrar mensagens de Dezembro, 2005

Sobre os rostos de fantasmas solitários

Nos teus olhos reflectia-se a noite e pequenos sorrisos iluminavam o Natal nestas ruas despidas de azul, onde se aglomeram, caindo sobre o sonho, falsas estrelas luzidias e adornos vários, que pendem lentamente sem Norte ou Sul sobre os rostos de fantasmas solitários…

Visão de vivos e idos fantasmas

Um sorriso marginal tende ao olhar solitário, que se solta indelevelmente quando este abraço ausente de gente normal me silencia a saudade. Cada pessoa é um poema em movimento, cada olhar cansado de vida a depurar é uma semi demência, visão de idos fantasmas que nascem nas sombras e no frio de Inverno que assola a alma. A alma dorme, não sabe que é ela mesma e canta num grito de horror, um misto de saudade e de profunda dor, que é ver frutos de teu ventre serem menos que sombras, pouco mais que um nada ausente… E o meu abraço já não chega a ti, esta voz longínqua sempre presente que me pede o inaudito está aqui, o respirar pesa-me, as pernas fraquejam quando saio e vou até aí, até às veredas do pesadelo e te arranco às garras que te prendem ao medo… Quando me levanto de mim mesmo e o cansaço da tarde (que vem devagar… devagarinho) chama às paredes confidentes solenes companhia ausentes, o teu corpo é já vazio desse fogo que ainda arde, sonho q

Quando o tempo morre em mim

Pouso o alforge e a saudade escorre-me da face, encostadas ao sonho as cartas que carrego há milhares dos milhares que hão-de vir, suspiram pelo encanto do tempo que a seus olhos foge. São dicotómicas, plantadas por mãos invisíveis que cruzaram o céu nocturno, sorriram juntas sob um olhar estrábico que as fitava ao sabor de um verde-esmeralda. Algures, sim, algures para cá da realidade pernoito enquanto o Sol, ou qualque outro gigante, percorre as entrelinhas das minhas cartas. Pela areia que dança agarrada aqui e além ao vento, passaram anos ou segundos esmaecidos, que é cor de vida assim como quem de si mesmo se afiança... E o sorriso cansou-se, faltava pouco para que a luz, ou essa sombra que seduz, caísse do árduo e agreste espelho que sendo menos que um átomo foi dele a primeira centelha... Assolaram à costa deste caderno as pequenas letras tardias, fugidias, que me chamam há longos instantes bem do alto daquele fundo ermo. Traziam com elas algumas das tais, uns pequeno