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A mostrar mensagens de Abril, 2009

Sonata desconexa (part 3 of 1)

Escrevi e apaguei o que tinha escrito três vezes, antes de começar a escrever agora, pela quarta vez, prometendo a mim mesmo que não vou apagar isto. Hum, complicado. Hum, vai ficar... Dou um passo e volto atrás. Os poemas saem apenas em forma de música que apenas eu escuto, falta-me transformar as palavras em letras, para que as possa tactear com o olhar. Fruto dos tempos, eu, árvore, dou sementes secas que não sei colher. Coisas, dizem uns, coisas digo eu. Mantenho a cabeça à tona da água, enquanto este percurso não me leva para outras águas. Esqueço por vezes que tenho corpo cujas mãos precisam tactear o caminho, chego ao destino onde ainda não estou... Coisas de estar de alma, mas ainda não de corpo... Tenho que semicerrar os olhos para ler o que escrevo, quase como se toda a claridade, por muito ínfima que seja, me ferisse o pensamento. Prometi que não apagava et voilá, não apaguei (mas custou).
Creio que o Sol altiva as nuvens que se sustêm.  Eu continuo aqui, vendo sons que ninguém ouve, para me silenciar quando a surdez dos dos meus sonhos se esfuma por entre os medos.