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Serafim

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" Serafim ", uma Crónica do Nada no Correio do Porto . Foi com surpresa que numa das incursões pelo miasma social deslizei a cara do Serafim. Era uma fotografia simples, na expressividade artística e no sorriso aberto, puro e monocromático, colorindo o passado que, grande parte das vezes, se sobressalta na minha mente, transportando-me para os locais onde, policromaticamente, sonhava com um futuro matizado. Estava, afinal, errado. O Serafim morreu e nada acresce em mim, além da falta de rememorações que sustentem o seu sorrir. Esta vida é, por vezes, um dia no aguardado porvir. Preciso voltar quase 30 anos, encostado à orla plástica da máquina de vídeo-jogos, a música da placa de som, arcaica agora, debitando os acordes desacordados de “1942” ou qualquer outro jogo, falha-me a memória, o barulho ao balcão, o tilintar dos talheres, um copo que se esvazia, o marulhar seco da espuma na cerveja à pressão a deslizar sem qualquer maré ou fé que naufrague a secura de um dia de calo
O ser é ser-se, ainda que não se seja, talvez, pela falta de conhecimento sobre o desconhecido que se É.