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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2019

Sempre

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“Sempre” a crónica do Nada, no Correio do Porto . Pouca importância nutre aquilo que nos alimenta, seja o floculado céu invernal, que assombra o horizonte com os fantasmas vestidos de cinzento ou qualquer que seja a cor que nos amedronta, o sonho e a vida. Quando a chuva nada mais faz que nos atirar, humidamente, as espessas gotas de água contra o para-brisas, paramos ainda que nos movamos um pouco sem rumo, que é a forma como se desloca quem não sabe para onde ir. Há uma infinitude de caminhos onde nos podemos escrever, desde o carteiro à chuva, entregando cartas por entre as espessas bolbosas gotas de chuva na viseira do capacete, ou as gotas que mecanicamente se repercutem nas poças do chão, as mesmas que aspergem saudade do rio que corre ali abaixo do armazém onde colhi parafusos de cacofonias milimétricas que nem sabia existirem. Hoje nada mais sobra além de mim e dos meus medos, enquanto as tuas mãos finas caem nos seixos rombudos e colorem o cinzento prosaico com que me pinto, t