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A mostrar mensagens de Dezembro, 2011
Ainda que semeasse a paz, nasceria guerra pelos poros dos dias que se abatem. A transparência confinasse à água, ao vento, as pessoas transformam-se em seres opacos, sem brilho, seguidoras...
Quando a vida se espreguiça, mostra o cansaço de quem se acorda, num corpo, num tronco, sem que se deixe voar o pensamento pela ilusão de não ser alado. Um olhar vale pelo valor de quem observa. E o infinito aguarda sempre aqueles que se deslocam da dor, para abraçar, ainda que não o saibam, o Amor.
Paz, pelos montes que se sacodem da geada, pelas almas em velhos corpos ao sol, pelo tempo e solidão dos que não sabem que são, por tudo e pelo nada, pela força do mar que se levanta a cada maré e sussurra, entre dentes: os grãos que me contam são o fundo do mar.
Há um fina membrana, chamada esquecimento, que se rompe apenas quando se libertam de nós os últimos resquícios de egoísmo e maldade. Há todo um mundo e seres à espera, à nossa espera, infinito, indolor, sem tempo ou solidão, escrito e sonhado por quem se lembrou, afinal, de ser apenas quem É.
Ter que procurar, porque não se sabe encontrar. Procuro-me ainda assim em mim, eu sou eu. No silêncio em mim, e eu sou eu. Outros cosmos quando olho para o meu olhar, é a minha cegueira. A crescer, o ruído do cosmos é o meu silêncio. O mundo é meu em mim. Anagramizando.
O meu mundo é em mim. O meu silêncio é o ruído do cosmos a crescer. O meu olhar é a minha cegueira quando olho para outros cosmos. Eu sou eu, em mim e no silêncio. Eu sou eu e, ainda assim, procuro-me em mim. Porque não se encontra quem não se sabe ter que procurar.
Dormes e sorris. Enrolei e aconcheguei ao peito todas as letras, palavras, beijos, apertos de mão e olhares. Olhei para o céu, frio, distante, pontilhadito de estrelas que tremiam também e pensei em ti. Imaginei-me agora sonhando com um mundo cheio de gente com pessoas dentro e sorri. Sem lareira, mas com o coraçãozito quente, sem timidez, ergo os abraços e, de repente, é como se todo o céu fosse uma estrela e todas as estrelas um mini universo que rodopia na palma da minha mão e, assim, pudesse eu abraçar-vos todos e todas. Obrigado. Somos todos Um.
Dir-te-ia que a noite é tua,  que a podes filigranar a teu bel prazer,  artesanando os berloques  e as costuras  do que serias feito.  Agora,  num paralelismo universal,  vejo as nuvens pegarem-te, e eu,  de cansado,  me deixo dançar ao som da ausência e me chago,  gota a gota,  em palavras de quem se ri,  enquanto à noite pergunto a deus por ti.
Que fazer com todos eus que vagabundam em mim, saudando palavras que desconheço, enquanto se desembrulham os dias e os pinheiros agridem o vento.  Espremo as letras, escorrem-me em linhas desenvoltas em todos os crepúsculos que me horizontam.  O mundo cabe-me numa gota de suor, transpira-se em cada golfada de ar que me enche o invólucro.  Orbito o universo e mesmo assim toda a vida me parece pequena, todo o momento fugaz, todo o início de uma frase o princípio de um silêncio, porque apenas a mudez me sacia a sede de ouvir o inefável.
A Pessoa não se molda, sujeita às agruras, veleidades, alegria e luxúria do exterior. Constrói-se, de dentro para fora, camada a camada, germinando-se, deificando-se
O nevoeiro neblina-se,  ladeirando-se encosta acima ascende um Natal apoteose de um homem que se faz animal.  Os embrulhos vazios e imaginários de um choro frio no corpo de gente, cada um, um rio do teu leito e que não se sente a mão que embalou a secura da tua alma ausente.