2011-09-30

Voto-me à simplicidade perante as alternativas eleitorais. 
Ao vapor de um chá de limonete. 
Ao cheiro a café quente. 
À sopa fumegante. 
Às memórias que me recordam, quando me esqueço, que do lado de me, há um outro te. 
Inebriante o prazer de me deitar no horizonte, apenas para saber a que sabe a castidade de uma paisagem.
A liberdade habita-me na ideia de ser livre, não na confluência dos semáforos, sob a abóbada de letras díspares propositadamente ou dos medos dos caminhos desconfortáveis.
Livre.

2011-09-29

Não pelo Sol, que me atormenta o dia, mas pela luz que se esvai, como pérolas a porcos fajutos, sem que se acorrentem os mais e se soltem os menos, para que no vazio, no nada, se desprendam as coloniais faces e se descubram, ao dia, aquilo que cada um é sem saber ser.

2011-09-20

Eis a vida, breve, solene, como quem chama por alguém que se ouve sem se escutar. 
Sobrevivendo, nem se sabe que se vive por um punhado de ar, que omite e desleixa o mais incauto momento. 
Eis a vida, ouçam, porque quando escutarem, será cunhado a punho o ar que sobreviveu. 
Breve. 
Solene.

2011-09-19

É sem grande dificuldade que me vejo com este sol, este vento, à sobra de uma oliveira, de um plátano, por baixo de uma videira, encostado a um penedo mal amanhado, com os momentos todos de vida debaixo do braço, enquanto aguardo que a noite vá trepando horizonte acima até se fazer noite.

2011-09-15

Há certas coisas que faço que, se não soubesse que tinha sido eu, diria que tinha sido feito por alguém inteligente. goofing my self.

2011-09-08

Acordo com cores da cor de Outono, com as manhãs cor de Primavera e as tardes de um Verão que, vá lá, consigo tolerar.
Um dia de chuva e sonho com o Inverno, como quem acorda para um arco-íris.
Vivo as estações todas num momento.
Sabe-me bem.

2011-09-07

Descobri que o céu é azul, mas pode ser de qualquer outra matiz, desde que as nuvens se deixem pastar por mim, recolhendo aqui e além a cor do que aos céus ascende.

2011-09-05

Ainda não saí do escritório hoje, desde que aqui entrei.
A porta aberta permite-me ver apenas a porta do escritório em frente.
Valem-me as nuvens que vão entrando e trazendo casas de xisto, telhados a fumegar, o sino das capelas espalhadas pelos montes e, de vez em quando, uma outra outra ovelhita que espreita e foge assustada, nem eu nem ela percebemos o que anda aqui a a fazer.
A caminho do trabalho, manhã, fresca como se pede, o Sol levanta-se no meu espelho e eu imagino-me lá por cima, vê-lo romper a neblina enquanto o sino da igreja o saúda com o rebate de Pronúncia do Norte e eu, com as mãos na chávena quente e o fumo do café como olhar, adormeço.
De quadro em quadro, a paisagem vai-se pintando enquanto a vejo, seria mais maravilhoso, se não fizesse de mim a moldura.