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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2006

Repouso

Gostava de ver os sonhos serem mais que repouso para outros voadores, cansados... Os sonhos também...

Ética para um Novo Milénio

Cada uma de nossas acções conscientes e, de certa forma, toda a nossa vida podem ser vistas como resposta à grande pergunta que desafia a todos: "Como posso ser feliz?" No entanto, estranhamente, minha impressão é que as pessoas que vivem em países de grande desenvolvimento material são de certa forma menos satisfeitas, menos felizes do que as que vivem em países menos desenvolvidos. Esse sofrimento interior está claramente associado a uma confusão cada vez maior sobre o que de fato constitui a moralidade e quais são os seus fundamentos. A meu ver, criamos uma sociedade em que as pessoas acham cada vez mais difícil demonstrar um mínimo de afecto aos outros. Em vez da noção de comunidade e da sensação de fazer parte de um grupo, encontramos um alto grau de solidão e perda de laços afectivos. O que gera essa situação é a retórica contemporânea de crescimento e desenvolvimento económico, que reforça intensamente a tendência das pessoas para a competitividade e a inveja.

Metáforas

Até o sono tem preguiça esta noite... A insónia ganhou e fez-me levantar da cama... Eu sou um outro eu de mim mesmo, que é título de poema ainda não escrito... Esta noite só a metáfora pode ganhar, porque a sinceridade crua e dura é de matar, é de sufocar, é de aos céus (surdos, agora) bradar... Os sonhos, esses animais, só podem ser domados por mim... Vagueiam pelas enseadas de forma sôfrega, os sonhos, e outros também... As notícias de amanhã chegam-me de véspera, trá-las o cansaço... Os sorrisos que vivi, que alimentaram o sonho, estão distantes, habitam apenas na noite em que este meu "eu" vagueia pelo espaço, onde constrói cenários, onde visita aquários lodosos, onde nadam quem os sonhos não doma... Há algo de estanho na metáfora... De vez em quando temos que dar espaço à saudade, ao vício de lamber a ferida, como animal, como víbora que se intoxica com o seu veneno... Há venenos que nem a víbora consegue exalar... A metáfora ganhou à insónia, que se retira c

Pedras revoltas

A noite voltou a ser dia, as nuvens que a encobriam sorrindo eram apenas os olhares mordazes de quem não as viam. Tocou suavemente na tarde, entoando despedida, e garganta ferida por palavras não ditas, mas sentidas, não escritas, mas vividas... É a voz da Lua que chama e filtra as palpitações azedas da noite, nas mãos de quem suas mãos ajudou pende agora arfante um açoite... A Lua negra e revolta, face de três escarpas e densa barreira ausente, não alcança o ténue e fino cortar da vida em mim a brotar, mesmo a chuva nasce e cai dos sonhos em tépida sinfonia, tudo isto porque o amor suspirou e a noite voltou a ser dia...

Menina, quanto custa isto?

Um sonho cansado encontrou-se com o dia, enquanto fatigados raios suspiravam pela nesga da calada, um novo Sol rugia aos olhos destes astros admirados, são os degraus fortuitos da alvorada. Bebeu um pouco de noite fria, antes que uns instigados e soturnos sorrissem gelidamente ao silêncio, este uivou e partiu à sombra de um outro vento como se fosse também mais além, para lá do lamento. Tinhas feridas nas mãos gastas e moídas, um errante sonho no olhar pendia em lágrimas confundidas com paixão, não eram utópicas ou falácias, pareciam um pouco mais de amizade que corria solta num cercado, como livre é um sufoco que sucumbe num punho fechado...

Palavras incolores

Talvez o porquê das faces encoraje o Sol a nascer, sem que surjam esbatidas, nas árvores, as sombras da Lua a morrer. Que meu abraço seja provável, destino da saudade, longe, algures além da liberdade do Inverno, que me corteja. Um segredo estranho à ordem caótica do Universo; Som inaudito para lá desta barreira invisível, são as metáforas rimas de um texto em verso e insensível, que deixou ainda um suspiro entre as manhãs e o sonho que respiro... Parece-me o real algo ligeiro, passageiro, como os anseios de criança em tarde de Verão, férias ausentes que anunciam a aliança entre a mão e as cálidas pétalas dormentes. As faces voam, passam rápido por mim como as luzes da cidade, são vorazes e audazes, embora não lhes saboreie o desejo que à vida dei, como as palavras incolores do poema que não terminei...