2007-02-28
2007-02-26
Rain in a sunny day
Chovia tanto que ele pensava morar no fundo do mar, separado do infinito azul líquido por uma fina tela de vidro.O vento, quando uivava, parecia um navio e, assim, fechava os olhos e imaginava-se num barco, daqueles pequenos, onde não cabe um remo, apenas existe um pequeno espaço para um punhado de sonho e ilusão.
Quando a ondulação o embalava ele deixava-se adormecer, para logo depois acordar, dentro do mar que é o peito de quem sonha.
E assim, enquanto dormia, o sonho e ilusão saltavam, como peixe acabado de pescar, e caíam novamente ao mar, deixando-se cair ao sabor da corrente, para que outros que não dormissem os vissem lá no abismo onde habitavam e pudessem, também, sonhar.
Acordava e via-se no barco, ondulando, mas no momento em que olhava para o seu pequeno barco e não via o seu punhado de sonho e ilusão, acordava.
Para se ver encostado ao vidro, contra o qual o vento atirava pequenas gotas de chuva.
E estas, cansadas, escorregavam e contavam-lhe baixinho: “sonha, para que os que não dormem possam encontrar alguns sonhos”.
2007-02-20
Cold night blues
Fogem de mim,
os olhares da noite
e as mãos frias,
o aceno fugidio da mentira
e a lágrima
que já ida
nem de mim me tira.
A névoa das pessoas
e máscaras,
a chuva que inunda
a noite,
pintada de verdade,
quando cair no vazio
verá,
uns olhos cavados
e mãos,
em desespero,
agarrando a vida
que a outros tirou...
e as mãos frias,
o aceno fugidio da mentira
e a lágrima
que já ida
nem de mim me tira.
A névoa das pessoas
e máscaras,
a chuva que inunda
a noite,
pintada de verdade,
quando cair no vazio
verá,
uns olhos cavados
e mãos,
em desespero,
agarrando a vida
que a outros tirou...
2007-02-03
Até um dia destes
Olá. Parece-me que é a última vez que venho aqui, ao blog, para escrever.
Acho que me cansei de cultivar o lado bucólico da vida neste espaço virtual.
Inevitavelmente, nada é evitável, digamos que faz parte da vida sermos assim, uma sucessão de dias e horas, segundos e noites, sonhos e pesadelos.
Confesso que esta deve ter sido a primeira vez que me sentei em frente ao computador sem um motivo, ainda que muito distante do meu fio condutor, para escrever.
Sentei-me e assim fiquei, a olhar, sem qualquer história para escrever, sem qualquer sonho misturado com música e flores que nascem nas encostas das estrelas.
Orgulho-me de continuar, por aí fora, sendo eu mesmo, com mais ou menos pontapés na boca, mas escrevendo em meu nome, comigo e para mim.
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