2010-02-22

Ainda não sei se chove. Apenas ouço o baralhar da rádio. Sem qualquer mecanismo de identificação (que não seja levantar o rabiosque) do tempo que faz, o que fazia sei-o, presencialmente, o que fará acabarei por saber, deixo-me levar pelo guarda-chuva e preparo-me para ir salpicar a chuva com um pouco da minha imaginação. É que a rua pode até ser de asfalto, mas os meus pés calcam é terra, monte, pastos e ainda que seco, deixo-me levar pelo molhado das plantas que me encharcam a alma até ao joelho.

2010-02-21

Faz-me lembrar de ti... Como se te esquecesse e, sem me aperceber, nascesses de novo em mim, no olhar.

2010-02-11

A pensar, o que faz de nós próprios aquilo que somos?
Para mim, agora, uma tijela de sopa quente, home made, o Sol a bater nos vidros, olhos fechados, com o caderno cheio de ideias que nunca escrevi e uma felicidade que brilha, mesmo sem a ver.

2010-02-10


Há qualquer coisa de mágico num cão sozinho, numa rotunda, fugindo dos faróis dos carros, farejando um chão desconhecido.
Há qualquer coisa de mágico num bocado de monte com eucaliptos e pinheiros, fumo pelo chão e o Sol a brilhar no chão encharcado.
Há qualquer coisa de mágico, que já se foi.

2010-02-08

Há um mundo no meu mundo
onde habita o que não sou,
o olhar latejante
que minha mão procurou,
onde me cais no destino
incerto na viagem que findou,
és tu porto,
ancoragem,
um corpo ausente
na saudade que não vem.

2010-02-03

Há dias assim, em que dói indefinidamente, como se viesse dos confins de algo que não se conhece e nos apanha surpresos.

2010-02-01

Há qualquer coisa de mágico no desembrulhar de um lanche... no verter um pouco de chã quente... falta-me a beira da estrada e o cheiro a erva cortada, o barulho de um riacho e o Sol tímido por entre as folhas de um plátano.
Estou no lado errado da estrada...