2012-08-27


Quantas palavras
das que, calado, não profiro
são tudo o que me dou
à noite e ao dia,
pelo não silêncio não verbalizo
o abraço e o oculto que sou,
a cevada quente e mundana
escorre num sorvo aquele que a terra amou,
para que a chuva chuvisque ao final da tarde
e do lado de lá da fogueira
o teu sorriso
clame liberdade.

2012-08-24


Sento-me na idade
e meço cada golfada de ar como as Primaveras que privei de um sorriso,
inócuos os dias
e a verdade
em que teimo despontar das vozes que auscultam,
sem fronteiras
calcorreio calçadas como zumbidos laterais que desnorteiam.
Pé, atrás de outro pé,
em caminho que espírito desconhece
vou sorvendo canteiros e folhas que se desprendem da vida,
enquanto não se apaga o pavio
e a luz,
que ainda pela madrugada me sorria,
vai adormecendo-me como quem inspira
enquanto outro de mim se faz dia.

2012-08-12

Deixo que a orbita do inviolável se tombe pelas esteiras de um jacinto que nasce. Que as palavras envolvam sem abraçar, que o silêncio fale e transpire por mim, não contra a diferença, mas a favor de todo o universo que sei haver no infinito, dentro de um, ao redor de todos. Somos diferentes olhares de um mesmo corpo. 

2012-08-09

Sem que se mova o tempo, marchamos ao redor de uma vida que julgamos mover, sem sabermos que de mundano o tempo se dá ao primor de existir apenas na ilusão.
Entre mundos o meu, que habito, procurando recantos onde moro, partes de mim esquecidas, idas, porque voltam, no retorno, ao ocaso morno, pela noite dentro, entre mundos, o meu.