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A mostrar mensagens de Agosto, 2012
Quantas palavras das que, calado, não profiro são tudo o que me dou à noite e ao dia, pelo não silêncio não verbalizo o abraço e o oculto que sou, a cevada quente e mundana escorre num sorvo aquele que a terra amou, para que a chuva chuvisque ao final da tarde e do lado de lá da fogueira o teu sorriso clame liberdade.
Sento-me na idade e meço cada golfada de ar como as Primaveras que privei de um sorriso, inócuos os dias e a verdade em que teimo despontar das vozes que auscultam, sem fronteiras calcorreio calçadas como zumbidos laterais que desnorteiam. Pé, atrás de outro pé, em caminho que espírito desconhece vou sorvendo canteiros e folhas que se desprendem da vida, enquanto não se apaga o pavio e a luz, que ainda pela madrugada me sorria, vai adormecendo-me como quem inspira enquanto outro de mim se faz dia.
Deixo que a orbita do inviolável se tombe pelas esteiras de um jacinto que nasce. Que as palavras envolvam sem abraçar, que o silêncio fale e transpire por mim, não contra a diferença, mas a favor de todo o universo que sei haver no infinito, dentro de um, ao redor de todos. Somos diferentes olhares de um mesmo corpo. 
Sem que se mova o tempo, marchamos ao redor de uma vida que julgamos mover, sem sabermos que de mundano o tempo se dá ao primor de existir apenas na ilusão.
Entre mundos o meu, que habito, procurando recantos onde moro, partes de mim esquecidas, idas, porque voltam, no retorno, ao ocaso morno, pela noite dentro, entre mundos, o meu.