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A árvore Sabedoria

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 A minha mais recente aventura literária é "A árvore Sabedoria", um livro infanto-juvenil (e para quem quiser), com ilustrações de Cristina Vilarinho e que foi apresentado na Ribeirinha, Vila Flor, no dia 13 de Junho de 2026.  O livro foi apoiado pelo Parque Natural Regional do Vale do Tua, no âmbito do projecto "Junto à Terra: Semear+Cedo", destinado às centenas de alunos do 4º ano do 1º ciclo das escolas dos concelhos de Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor. Os alunos receberam os seus exemplares, bem como reveram as actividades em que participaram e assistiram a uma adaptação da história do livro levada a palco pela Filandorra - Teatro do Nordeste, nas duas sessões de encerramento do projecto, em 16 e 17 de Junho, no Teatro Auditório Municipal de Alijó, repleto de calor humano e sorrisos que me deixaram embevecido e sem palavras, até agora. Criei um blogue onde coloquei toda a informação sobre o livro, bem como as sessões de apresentação: aar...

Fisgas

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"Fisgas". (para ler na secção Crónicas do Nada, no Correio do Porto ) As Fisgas tinham ficado para trás. Deixei-as escorrerem-se languidamente observando os mesmos turistas num miradouro recente. O rio tropeçava-se e ainda que a filosofia não o inste a percorrer-se repetidamente sob a mesma ponte, teimosamente completava o seu ciclo hídrico num vaivém aquoso irregular longe da soberania humana. De cajado na mão, a disforme imagem feminina faz-me sinal que julgo ser em aviso de rebanho na estrada. A insistência do levantar do braço leva-me, por consciência, a parar e abrir o vidro do passageiro. À janela, o rosto assustado em permanência, talvez questionando-se o que é o mundo além do redil ou para lá do Monte Farinha, o olhar esbugalhado de um azul-celeste inocente, as frases monocórdicas e sem sentido de uma criança em corpo de adulto. A boca sem dentes abria a fala que eu me esforçava em perceber. As cabras, castanhas, pretas, polvilhavam o asfalto quebrado de pequenos excr...

Caudal

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Caudal, crónica do Nada, no Correio do Porto.  https://www.correiodoporto.pt/prioritario/caudal  ao destino, ainda que pela ignorância nos caminhemos no matutino saturno, percorremos as curvas que sucedem a outros curvilíneos percursos por entre as espaçadas rectas. A manhã aconselha alguma prudência na indumentária, mas que frio teremos nós, reconhecendo-nos filhos do Sol? A torrefacção da manhã auxilia as forças no despreparado corpo, há que descarregar seis armários, três tampos de granito. Não preparado, entretanto, para serrar os barrotes de eucalipto que sustentam a torpe tábua prateleira onde repousavam, poeirentos, todo o tipo de artefactos electrónicos; raspo as mãos na parede tosca como rugas na face de qualquer vulto inocente e adulto. A louça do pequeno-almoço mira-me a descer os socalcos durienses que são os desnivelados degraus em cimento. O tecto baixo obriga-me a caminhar em vénia constante. Tudo respira a pobreza, no entanto, esta santíssima trindade ao abando...

Entrudo

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Entrudo. in Crónica do Nada, no Correio do Porto. ( https://www.correiodoporto.pt/prioritario/entrudo ) Esqueço-me da soma dos dias pelo subtrair das preocupações, ainda que alheias, agora que as águas baixaram e passamos os dias a vau.  Ainda ontem era o ano anterior, para hoje estar em meados de Fevereiro sem dar por ela, como se a maré subisse e hoje, em pé, permanecesse num cabeço qualquer numa ilha inexplorada, apenas eu e a fé. A cada manhã carpintada ou marceneirada em tarefas septuagenárias, pelos diálogos de profundo silêncio ao longo das esburacadas estradas nacionais, novos conhecimentos acumulam a riqueza que outros não conhecem. Ora pela falta de silêncio. Ora pelo silêncio imposto de quem não gosta do silêncio dos outros.  Estaciono como posso, adentro ruas com um credo mudo sem ver onde posso inverter marcha e a ponderar, enfim, retroceder com cuidado. Mas há sempre alguém ao fundo, braço no ar, avental colorido sobre um luto extenso, indicando algo que, deduzo,...

O poeta

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O poeta , nova crónica na minha secção Crónicas do Nada , no Correio do Porto. O colorido dos insufláveis onde as crianças orbitam sem cessar, enquanto outros saltam de cor em cor perante o olhar atento de uma ajudante cansada, alternando o olhar e a atenção entre os catraios irrequietos e os instagramáveis acessos de quem pulula de irreal em irreal, concorre com o cantor, jovem, num improvisado palco de mesas de refeitório amarradas umas às outras à força de abraçadeiras de plástico e boa vontade, solicitando o bater de palmas a uma plateia distante. O chão do pavilhão multiusos descansa das investidas desportivas do andebol, basquetebol, futsal, karaté e outros menos organizados, como bater-bafo, corridas de meias e futebol com bolas invisíveis. A festa de final de período, com as divindades edis no olimpo de alvas cadeiras de plástico, os responsáveis de associações, pais, culturais, desportivas, associativas, musicais e outras que tais, convivem na placidez de uma tarde cinzenta, ...

Feliz Natal.

Há uma riqueza infinita em valorizar mais as pessoas que não têm, do que aquilo que tu próprio podes ter. Que os passos apressados sejam substituídos pelo caminhar de um lado para o outro no recinto a que chamam casa e eu, inocente, gosto de chamar estábulo.  Que nunca o pouco farte tanto como quando o nada que nos veste não pese no ego, e o sorriso que se cruza connosco abra boas tardes e boas noites sinceras, sem comentários, votações, partilhas e discussões. Que o silêncio diga grande parte do que se ouve enquanto a noite se digere e o céu nocturno, escuro, pintalgado de estrelas ausentes, se debate para encher de sonhos os mais inocentes. «Por arte mágica paternal, dentro da bota ortopédica surgia o que eu pedia (e a única coisa que na estreita chaminé cabia). A lanterna, já com pilhas necessárias e eu, ansioso, calado, com olhos húmidos, rasgando com cuidado o papel, abria a porta da cozinha voltada ao encantado arvoredo, sem qualquer frio ou medo, espreitava o pinheiro e o an...

São Martinho

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"São Martinho" Crónica de mais um dia diferente, na minha secção Crónicas do Nada no Correio do Porto São Lourenço do Douro mira plácido o rio que o nomeia. O vento empurra até às encostas do Marão o bafo ameno anunciador de chuva. O vaguear da encosta trajada de asfalto não permite grandes distracções ao volante, no entanto, não resisto a olhar o espelho dourado rasgado por um batel prenhe de simpáticos e bonacheirões nórdicos, parecem-me, à distância e à imaginação. As conversas oscilam como as copas das árvores e as placas de trânsito, indecisas, quanto aos limites de velocidade curva após curva. Chegados ao destino, o que nos quis, não o que quisemos, à porta assoma a simpatia sexagenária, metro e meio de viúva, a colorida indumentária, a casa sobranceira sorridente nas obras quase terminadas. Indica-nos onde colocar o que levamos, sorri novamente e a conversa oscila entre o vento, o mesmo que nos levou até lá, a possibilidade de chuva, que são, afinal, as coisas que as ...