Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2013
Já todos fomos al(gu)ém. De repente, como quem pisca o olho, 20 anos transformam-se em traves de cimento, gares tecnológicas, pessoas vestidas de botões e cristais líquidos, pregões substituídos por vozes maquinais e toda uma tarde cravada em cinzas, com que prenunciando a erupção de um vulcão que, paradoxalmente, apesar de parecer volátil e prestes a expelir a camada bafienta do outro nós, está ainda tão enraizado em tanta falta de nós no outro.
As letras têm sal e e a quinta nota faz-se música, apenas para ouvir o sussurro do vento morno de verão a namorar com a persiana do meu quarto. A falta que me faz uma noite goticulada em telhado de zinco ou chão de estanho, estranho, a cair pela atmosfera como quem se veda ao céu.
Pela janela do meu quarto espreitam cortinas descerradas lá entre vidraças que se fazem postigo alcançaram a custo as saídas erradas. Jamais o horizonte, a faixa de vida que se espreguiça ao longe, nasceu para deixar viver entrelaçado, nas agruras do fado lá entre os postigos que se fazem vidraça as saídas, erradas, que a custo alcança.
O encontro surge a meio caminho do Eu Tenho. Desagregado do que me agregam, do ter ao parecer, enfermo ou são. Acima do que caracteriza, incaracterístico, um verbo. Sou. Tenho-me a mim, nao este que manuseia dedos, mas quem aos dedos amavelmente solicita colaboração, entre mundos e universos, para grafar um desacordo ortográfico, porque eu Sou e serei, além, aquém, Eu, porém.
Ao calor, que me liberta da roupa folgada que teimo vestir, estou nu, sem haver que vista ou repare a minha escrita desnuda, nos passos trôpegos no silêncio, no vazio, nu, vazio. Inebriado resisto ao chamado às vozes que ninguém ouve, à prisão em que meu corpo se transforma e a todos os que as pupilas reflectiram. As palavras tive-as, eram esquissos das obras que sonhei fazer, resistiram dias, creio que meses ao chamado de um cantar inaudível, irresponsável até,  que faz de meus braços eu mesmo e de mim, uma pálida pirâmide cujos hieróglifos suspiro por não os saber decifrar.
Caro planeta, sei que te ardem as entranhas por sentires, na tua pele, o craquejar de um fogo que teimamos atiçar. Em meu nome, desculpa. Os outros 7 biliões decidirão o que fazer.
Quando deixam de repousar as maravilhas que aguardam o momento de florir, nascem pelas frinchas de uma parede de madeira pequenos rebentos de sementes curtidas pelo tempo. Assim seremos nós, futuro, enquanto descobrimos o nosso caminho agrilhoados ao medo que nem sabemos estar a sentir.
Ensurdece-me, já, o eco de todas as paisagens que vislumbrei, continuamente a restolhar, entre papéis gastos e sujos, as palavras que se ataram de letra em letra.
Gostava que o atravessado de um arame pelas folhas de uma videira trespasse também, em mim, a vontade de ser bago, deixar-me pintar pelo tempo, sem que suassem em mim sombras de dias que se vivem apenas ao anoitecer. Louve-se o céu transmontano, que me deixa mais perto de ser estrela.