Há qualquer coisa de estranho com este tempo, com esta chuva... Está tanto vento que alguns galhos dos pinheiros caem, batendo nas janelas e na porta... Na porta... Já mais do que uma vez caem dos pinheiros e batem...
Olho para o meu lado direito e assusto-me, entra uma criança, muito jovem, talvez 9 anos, e fica a olhar para mim, com olhos traquinas, sorriso de esguelha e pequenino, com a mão direita apoiada na porta, chapéu vermelho, típico de lavrador, camisola de malha amarela e um nome bordado a linha vermelha: "Sonho"... Sonho... Que raio de nome... As calças parecem feitas de um tecido similar à serapilheira e os pés tinham umas botas toscas, velhas, nas quais adivinho um buraco na sola... Nas costas trazia uma sacola, espécie de pasta, parecia feita de couro, "muito" castanha, sem fivelas a apertar, tinha apenas um arame grosso e meio ferrugento...
Tirou a mão da porta e foi andando até se sentar a meu lado, na cadeira vazia. Enquanto se aproximava, deu para ver os olhos, cor de sonho.
É pequeno, mesmo muito pequeno, sentado na cadeira os pés dificilmente chegam ao chão, fica a balançá-los, lentamente, com os braços apoiados nos braços da cadeira e as costas que não encostam na cadeira, porque ainda não tirou a sua sacola... Puto estranho... Por fim falou:
- Bati tanto à porta, como não abrias, entrei na mesma...
- Entraste? Como? - Tinha-me esquecido deste pormenor, como se já não fosse bastante estranho entrar alguém que não conheço em minha casa.
- Pareces burro, não sabes que atravessamos as paredes?
Reduzi-me à minha ignorância e continuei a escrever no computador... Ele ia olhando para mim e para o computador, sequencialmente... Às tantas lá falei:
- Pensei que eram ramos de árvores a bater na porta...
- Oh, e o que achas que todos nós somos?
- Não percebi...
- Todos nós somos uns galhos de árvores, ondulando por aí, tentando agarrar-nos à árvore mãe, mas há-de vir sempre um vento que nos atira para longe, ao encontro das portas... Como a tua... como eu...
Continuei sem perceber o que falava, mas por vergonha calei-me...
Cansado de me ver escrever desceu da cadeira e tirou a sacola das costas, pousou-a no chão e, depois, sem eu esperar, sentou-se no chão, encostado à minha perna direita, pôs as mãos sobre os meus joelhos e pousou a sua cabeça sobre as mãos... Suspirou fundo... E pareceu ficar ali a dormir, meio perdido nos seus pensamentos de criança...
Parei de escrever, tirei-lhe o chapéu e afaguei-lhe o cabelo... Era sujo e grosso e cheirava ao típico fumeiro...
Sem levantar a cabeça, falou, num tom de voz mais adulto, pausado e muito calmo:
- Esqueceram-se de mim...
- De ti? Quem? - Tinha a cabeça a "1000", nada fazia sentido...
- De mim e de todos os outros como eu... Os que cá estiveram e os que estão para vir...
Parou... Parecia cansado, não fosse eu vê-lo criança e pensaria ser um idoso que me falava...
- Esqueceram-se de nós... Os como eu, que parti e os que lá ficaram, por aí, perdidos, espalhados pelos montes...
Parou novamente... Não só parecia, estava de facto cansadíssimo...
- Fico triste pelos que ficam, sozinhos... Somos cada vez menos naquilo que poderia ser um paraíso... Condensam-se cada vez mais em grandes aglomerados, em jaulas de sentimentos e emoções, não sentem isto – e apontou para a janela, que tinha sido atingida por mais um ramo. Curioso, a fala dele era sincronizada com o vento, com a Natureza - vivem imersos num mundo pequeno, mesquinho, que é a sua própria sepultura...
Parou novamente... Eu estava atónito, olhava para longe, vendo as nuvens escuras e as copas dos eucaliptos em frente, que bailavam ao sabor do vento forte...
- Os sítios onde vivem estão apinhados de gente densa, forte, que materializam o que pensam... "Cada vez está pior"... "Isto deve ser o fim"... - abanou a cabeça um pouco, negativamente - Como é triste ver tudo isto, rapaz...
Ter-me chamado rapaz, com um tom de voz tão familiar, arrancou-me ao meu devaneio... Prestei mais atenção ao que falava...
- Sabes... Bem, sabes... Nós somos o que fazemos de nós mesmos... Tens medo? Vais encontrar situações em que terás medo... És optimista? Então, as situações, fruto do teu esforço, serão recompensadoras... És optimista parvo? - Esta assustou-me... - Então serás apenas uma pedra perdida por aí, sem fazeres nada... És pessimista? Então castras toda e qualquer hipótese de eu ou outros te ajudarem no que sonhas... E acredita, tal como eu, há tantos por aí... Vão trabalhando convosco, para vocês, para todos, porque é assim o rumo natural das coisas, mesmo que vocês insistam em continuar assim, fechados, cegos, mascarados em frente ao vosso espelho...
Suspirou fundo, pesado...
- Falta-vos um objectivo maior, que não é o sobe e desce da bolsa de valores, ou o chegar do final do mês para receber e pagar as prestações de todas as coisas que não precisas, que te fazem sentir vazio... Não me interpretes mal, essas coisas são necessárias, boas até, mas dentro de uma hierarquia de necessidades e prioridades... Mesmo tu, que ainda te preocupas minimamente, confundiste o meu bater na porta com um galho ou um ramo ou qualquer outra coisa, que não te arrancava às tuas próprias sombras... Se te batem à porta, abre! Se te chamam, pára um pouco e olha para trás, vê quem é...
Levantou-se do chão, tirou a sacola da cadeira, pousou-a ao lado e sentou-se... Encostou a cabeça para trás, na cadeira, fechou os olhos e sorriu...
- Achas estranho?
Eu nem respondi... Estranho... Sei lá... Estava apenas a ouvir, sem julgar...
- Sim, é uma boa atitude, não julgues... - Fiquei surpreendido, parecia que me tinha ouvido os pensamentos...
- Sim, leio os teus... Aliás, não os leio, quando pensas liberta-os para o ambiente sobre a forma de energia, a tua energia, a tua assinatura... Estás a ver a importância que vocês têm? Onde estejas, tudo o que pensares, ficará lá, como uma assinatura... E tu, que queres fazer? Queres andar por aí, pensando e agindo com responsabilidade, com amizade, com amor? Ou preferes vaguear, perdido em ti mesmo, perdendo a paisagem e, quem sabe, a oportunidade de amar, de ser amado, de ajudar, de ser ajudado?
Abriu os olhos, pousou os cotovelos nas pernas, inclinando-se para a frente, olhou-me e sorriu.
- Quando te perderes nos teus pensamentos, quando fores preso nesta onda de pessimismo, de tristeza e drama, pergunta-te a quem interessará tudo isto? A ti? Não percas tempo com dramas, amortiza o impacto negativo das coisas, sê responsável pelo que pensas, pelo que transmites... Não te esqueças, o que pensas concretiza-se... Vê os teus sonhos, se sonhas, se vives no sonho, tudo isso ficará no mundo dos sonhos... Se sonhas com um mundo melhor, esse mundo melhor será apenas o teu sonho... Sê a mudança que queres ver, age de acordo com os teus ideais mais profundos, sempre com agilidade suficiente para veres quando estás errado e quando podes aprender algo mais... Vocês são curiosos, estranhos, uma raça interessante... São tão dicotómicos, de extremos, sem saberem viver no meio termo, dançando sobre essa ténue linha que divide o cristalizado e o mole demais... Ou são optimistas exagerados, inconsequentes, ou são pessimistas rabugentos, velhos trapos que conspiram contra vocês mesmos...
Abanou um pouco a cabeça e ficou a olhar para o chão.
- De que têm vocês medo? Para quê o medo? O medo é útil, como aviso, como incentivo para vocês melhorarem e prepararem-se bem para uma ou outra situação, mas nada mais do que isso... Esse medo é parecido comigo, aparece assim, sem contarem, apenas atraído pelos vossos pensamentos... E tal como o medo, muitos outros, que têm medo de ser felizes, de crescer em todos os sentidos, surgem e apegam-se a vocês, sentam-se a vosso lado e pensam convosco, às vezes por vocês mesmos... Mas se vocês já os percebem, os sentem, não reajam com repugno, não se fechem em vocês mesmos, pelo contrário, abram o vosso coração, os vossos sentimentos, os vossos pensamentos, para eles, para por uma vez na vida que seja, sintam que alguém os ama, incondicionalmente, que possam sentir e discernir, que possam seguir ou dividir, mas não fiquem parciais... Também não fiquem presos a isso, só têm que dar o vosso melhor e isso é muito fácil, não custa rigorosamente nada, excepto abrir mão do vosso ego, de vós mesmos... Não sejam alimento deles, não continuem a insistir, isso apenas gerará dependência...
Pousou as mãos nos braços da cadeira e ergueu-se... Deitou-me um olhar de amizade profunda que me comoveu. Baixou-se, apanhou a sacola e colocou-a às costas, dando um pequeno salto para a ajustar melhor e, de seguida, puxou a camisola para baixo, esticando-a. Meteu as mãos nos bolsos.
- Já vais?
- Sim... Está a chegar o vento que me leva para onde tenho que ir...
- Para onde vais?
- Tu sabes, eu e muitos outros que querem vir, vamos para onde tens tentado ir...
- Não, não sei para onde tenho tentado ir...
- Sabes sim, mas apenas tens sonhado com isso, passa à acção...
- À acção?
- Sim, à acção, sem agires, sê o que queres ser, mesmo que isso não se veja, mesmo que isso não venha no "jornal"... Se te libertares do ego, os resultados serão maiores, em maior escala... Há tanto por aí por descobrir e se poderem descobrir isso ao mesmo tempo que se descobrem a vocês mesmos... Hum, seria maravilhoso!
Disse isto, nada mais, ficou um pouco parado a olhar para mim e a sorrir...
- E o teu chapéu? Não o levas? - perguntei.
- Não, fica contigo, como recordação...
- Pois, recordação de alguém que nem sei se existe... Se é fruto da minha imaginação...
- E para que precisas tu de comprovação? Não tem piada assim?
- Não!
- Tem sim... Durante tanto tempo estiveram habituados a que pensassem por vocês, que decidissem por vocês que, agora, simplesmente, têm medo de decidir sozinhos, de viver sonhos... como disse, vocês são estranhos... - E deu uma gargalhada - Bem, o chapéu sempre pode ficar como uma desculpa para eu voltar aqui, percebes?
Piscou-me o olho e virou costas... À medida que ia em direcção à porta, desvanecia-se, como se fosse fumo...
Chamei-o, tinha tantas coisas, agora, para perguntar... Corri em direcção à porta, mas já não o vi... Voltei à minha cadeira e lá estava ele, a sorrir.
- Chamaste?
- Sim... Eu... - Fiquei calado, sem saber o que dizer...
- Então?
- O que faço? Quer dizer, como faço? - perguntei gaguejando, sem saber dar sentido e palavras aos pensamentos que me povoavam a mente...
- Olha amigo, onde fores leva esse chapéu contigo, eu estarei perto, sempre, não tenhas medo...
- Mas onde hei-de eu ir?
- Onde quiseres, não é maravilhoso?
- Mas onde... - perguntei com uma lágrima de desespero...
- Onde a vida te levar... Onde fores leva-te a ti mesmo, em pleno, algo há-se surgir e, nessa busca, não te esqueças que estás já no caminho que procuras... Fala e escreve sobre isto, sobre amar, mas sobretudo sê mais do que isso, sê mais do que falar... Age com a confiança de onde quer que estejas eu estarei por lá, abre os olhos e os ouvidos quando alguém falar, tens sempre muito a aprender com todas as pessoas que se cruzam contigo...
- Mas eu nem sei onde ir... O que falar... O que fazer...
- Não te preocupes... O que tiveres que ouvir ser-te-á dito tanto pelo homem do talho, como por um médico, tanto por um trolha, como por um engenheiro, tens é que estar atento... Já perguntaste tudo?
- Acho que sim... - mas pensei para mim mesmo "sei que tenho tanto para perguntar, tanto para dizer..."
- Sim, eu sei dessas dúvidas... Mas elas são o motor para a procura, para o conhecimento e são, também, uma forma de tu te perderes em ti mesmo, deixa isso, em vez de te preocupares com isso, preocupa-te em olhar à volta e aferir "o que poderei eu fazer aqui para melhorar isto?". Preocupa-te em deixar todos os locais onde passes melhores do que estavam quando chegaste...
Ficou a olhar para mim, a sorrir... Piscou-me o olho e disse:
- Tenho que ir...
Levantou-se, sem dizer mais nada, deu-me um abraço e foi embora... Peguei no chapéu dele e guardei-o no bolso, a sorrir...
2005-10-27
2005-10-26
O puto do Pai Natal...
Reparei nele ainda não tinha estacionado o carro...
O parque de estacionamento estava quase vazio, coisa normal para um dia de semana, início de tarde e perto do final do mês... Uma carrinha recolhia o dinheiro da caixa multibanco e foi quando o vi, a saltar de um lado para o outro.
Tinha cabelo louro, idade a aparentar 12 anos, nariz ranhoso, cara suja, uma camisola azul clara que lhe realçava os olhos igualmente azuis, calças de ganga cor "azul muito gasto e badalhoco".. A minha reacção, à medida que ia buscar o carrinho de compras, foi de alheamento, "se fizer de conta que não estou aqui" (com o meu 1,90 mt é fácil) ele não me pede moeda. Mas ele, com aquele olhar traquina, soube de antemão que de mim não levava nada e nem me abordou... Entrei no Lidl e andei por lá às compras (como é possível ser tão barato... hum... a qualidade dos produtos não deve ser a mesma de outros locais...), não resiste e parei na secção dos chocolates, recolhendo um... Na caixa vi que uma senhora lhe tinha dado a moeda do carrinho de compras. Paguei e saí do Lidl no exacto momento em que o puto entrava...
Coloquei as poucas compras na mala do carro e quando fui levar o carrinho de compras ao local, lá estava o puto, sentado no chão, agarrado a um Pai Natal de chocolate, com as duas mãos, a mordiscar levemente a cabeça, com os olhos fechados, saboreando cada bocadinho do seu Pai Natal... Ele estava ali, de olhos fechados, enquanto eu tirava a moeda do carrinho de compras... Tirei a moeda devagar e fiz questão de fazer algum barulho, "se ele olhar para mim dou-lhe a moeda"... Mas naquele momento, tive a certeza de o ouvir pensar, enquanto mordia mais um pouco do Pai Natal, "se fizer de conta que não estou aqui ele não me dá a estúpida da moeda"...
Pois, 3500 escolas que vão fechar... Progresso tecnológico... Défice orçamental... Educação... Dentro desta sociedade há muitos outras sociedadezinhas...
O parque de estacionamento estava quase vazio, coisa normal para um dia de semana, início de tarde e perto do final do mês... Uma carrinha recolhia o dinheiro da caixa multibanco e foi quando o vi, a saltar de um lado para o outro.
Tinha cabelo louro, idade a aparentar 12 anos, nariz ranhoso, cara suja, uma camisola azul clara que lhe realçava os olhos igualmente azuis, calças de ganga cor "azul muito gasto e badalhoco".. A minha reacção, à medida que ia buscar o carrinho de compras, foi de alheamento, "se fizer de conta que não estou aqui" (com o meu 1,90 mt é fácil) ele não me pede moeda. Mas ele, com aquele olhar traquina, soube de antemão que de mim não levava nada e nem me abordou... Entrei no Lidl e andei por lá às compras (como é possível ser tão barato... hum... a qualidade dos produtos não deve ser a mesma de outros locais...), não resiste e parei na secção dos chocolates, recolhendo um... Na caixa vi que uma senhora lhe tinha dado a moeda do carrinho de compras. Paguei e saí do Lidl no exacto momento em que o puto entrava...
Coloquei as poucas compras na mala do carro e quando fui levar o carrinho de compras ao local, lá estava o puto, sentado no chão, agarrado a um Pai Natal de chocolate, com as duas mãos, a mordiscar levemente a cabeça, com os olhos fechados, saboreando cada bocadinho do seu Pai Natal... Ele estava ali, de olhos fechados, enquanto eu tirava a moeda do carrinho de compras... Tirei a moeda devagar e fiz questão de fazer algum barulho, "se ele olhar para mim dou-lhe a moeda"... Mas naquele momento, tive a certeza de o ouvir pensar, enquanto mordia mais um pouco do Pai Natal, "se fizer de conta que não estou aqui ele não me dá a estúpida da moeda"...
Pois, 3500 escolas que vão fechar... Progresso tecnológico... Défice orçamental... Educação... Dentro desta sociedade há muitos outras sociedadezinhas...
2005-10-25
Carlos Drumond de Andrade
"A cada dia que vivo,
mais me convenço que o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que esquivando-se do sofrimento
perdemos também a nossa felicidade."
(Carlos Drummond de Andrade)
2005-10-23
Estrias na alma
Quando me ouram os sentidos
já eu não sou eu,
solto um pouco de calor
e demência,
pouco de algo
e muito de perdido...
Vários são os vultos
que me estriam a alma,
mordazmente,
na voz e olhar de outros
me atiçam um lume gélido,
que destrói e não mata...
Rodopio em mim,
sobre um caderno de memórias
e uma caneta partida,
vestida de tinta,
quebrada e não partida.
Agora,
antes que meus olhos esqueçam as trevas,
eu salto em frente à vida
parando-a,
afagando-a,
e firmemente atiro:
"sei que querias, mas não a levas!"
já eu não sou eu,
solto um pouco de calor
e demência,
pouco de algo
e muito de perdido...
Vários são os vultos
que me estriam a alma,
mordazmente,
na voz e olhar de outros
me atiçam um lume gélido,
que destrói e não mata...
Rodopio em mim,
sobre um caderno de memórias
e uma caneta partida,
vestida de tinta,
quebrada e não partida.
Agora,
antes que meus olhos esqueçam as trevas,
eu salto em frente à vida
parando-a,
afagando-a,
e firmemente atiro:
"sei que querias, mas não a levas!"
2005-10-21
Enquanto a vida te rodeia
Quantos anos caíram,
enquanto dormia pela vida
ultrapassando tempos,
aniquilando
quem de mim bebia,
quantos seriam?
O calor na face
rosada,
da cor do mel
quando de mim se ultrapasse
e, por fim, cansada
de respirar
se deixe esmaecer
no fino gume desta folha
que se faz papel...
Cavalgam pelos anos
descansando quando de si escolhe a vida,
caída,
pendente dos secos ramos
frágeis, canos de gente
que respira,
ou fustiga,
quando o bafo quente da garra
o prende
à força
do mar conta as ondas
em algazarra.
A vida escreve-se
em suores perdidos,
em corpos acometidos pelas convulsões
de viver, aos poucos,
presos a ilusões
e medos...
E são estes
os tão horrendos segredos?
Enquanto rodas sobre ti,
dormindo na cama receosa,
um mundo invisível que tu respiras
dá lugar ao som,
beija à Lua a mão
que cora e sorri.
A compaixão fugaz,
o gesto solene que de ti nada faz,
a escrita ténue, quase só,
que ainda persiste
enquanto descanso...
Tu não és,
apenas rodas sobre ti
quando a vida te fita nos olhos e sorri...
enquanto dormia pela vida
ultrapassando tempos,
aniquilando
quem de mim bebia,
quantos seriam?
O calor na face
rosada,
da cor do mel
quando de mim se ultrapasse
e, por fim, cansada
de respirar
se deixe esmaecer
no fino gume desta folha
que se faz papel...
Cavalgam pelos anos
descansando quando de si escolhe a vida,
caída,
pendente dos secos ramos
frágeis, canos de gente
que respira,
ou fustiga,
quando o bafo quente da garra
o prende
à força
do mar conta as ondas
em algazarra.
A vida escreve-se
em suores perdidos,
em corpos acometidos pelas convulsões
de viver, aos poucos,
presos a ilusões
e medos...
E são estes
os tão horrendos segredos?
Enquanto rodas sobre ti,
dormindo na cama receosa,
um mundo invisível que tu respiras
dá lugar ao som,
beija à Lua a mão
que cora e sorri.
A compaixão fugaz,
o gesto solene que de ti nada faz,
a escrita ténue, quase só,
que ainda persiste
enquanto descanso...
Tu não és,
apenas rodas sobre ti
quando a vida te fita nos olhos e sorri...
Quando não eram pequenos
Eram pequenos,
sorriam por entre as gotas do orvalho
e, também, acenava
quando eu passava pela sombra dos carvalho...
Na mochila pendia um sonho,
caíam de si
para o mundo,
um vazio que é ser
e não estar,
estar e não esmaecer...
sorriam por entre as gotas do orvalho
e, também, acenava
quando eu passava pela sombra dos carvalho...
Na mochila pendia um sonho,
caíam de si
para o mundo,
um vazio que é ser
e não estar,
estar e não esmaecer...
Código de ética dos índios Norte-Americanos
- Levanta-te com o Sol para orar. Ora sozinho. Ora com frequência. O Grande Espírito escutar-te-á, se ao menos falares.
- Sê tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho. A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza, originam-se de uma alma perdida. Ora para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.
- Procura conhecer-te por ti próprio. Não permitas que outros façam o teu caminho por ti. É a tua estrada e somente tua. Outros podem andar ao teu lado, mas ninguém pode andar por ti.
- Trata os convidados no teu lar com muita consideração. Serve-lhes o melhor alimento, a melhor cama e trata-os com respeito e honra.
- Não tomes o que não é teu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza, ou da cultura. Se não foi ganho nem foi dado, não é teu.
- Respeita todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.
- Respeita os pensamentos, desejos e palavras das pessoas. Nunca interrompas os outros nem ridicularizas, nem rudemente os imites. Permite a cada pessoa o direito da expressão pessoal.
- Nunca fales dos outros de uma maneira má. A energia negativa que colocares para fora no universo, voltará multiplicada para ti.
- Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados.
- Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito. Pratica o optimismo.
- A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós. Toda a natureza faz parte da nossa família Terrestre.
- As crianças são as sementes do nosso futuro. Planta amor nos seus corações e rega-as com sabedoria e lições da vida. Quando forem crescidos, dá-lhes espaço para que cresçam.
- Evita magoar os corações das pessoas. O veneno da dor causada a outros, retornará a ti.
- Sê sincero e verdadeiro em todas as situações. A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo.
- Mantem-tse equilibrado. O teu Mental, Espiritual, Emocional e Físico, todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis. Trabalha o teu Físico para fortalecer o teu Mental. Enriquece o teu Espiritual para curar o teu Emocional.
- Toma decisões conscientes de como serás e como reagirás. Sê responsável pelas tuas próprias acções.
- Respeita a privacidade e o espaço pessoal dos outros. Não toques nas propriedades pessoais de outras pessoas, especialmente objectos religiosos e sagrados. Isso é proibido.
- Comeca por ser verdadeiro contigo mesmo. Se não puderes nutrir e ajudar a ti mesmo, não poderás nutrir e ajudar os outros.
- Respeita outras crenças religiosas. Não forces as tuas crenças aos outros.
- Compartilha a tua boa sorte com os outros. Participa com caridade.
(Fonte Desconhecida)
2005-10-20
Oração Celta
Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalante ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a musica seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas da tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que nos teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente no teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele amor que não se explica, só se sente. Que esse amor seja o teu acalanto secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a musica seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas da tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que nos teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente no teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele amor que não se explica, só se sente. Que esse amor seja o teu acalanto secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!
2005-10-17
Passadeira dos sorrisos
O tempo chuvoso arrasta consigo muitos e muitos sorrisos... A maior parte das vezes só é necessário saber onde procurar, saber puxá-los às tenebrosas sombras que envolvem as pessoas... E eles estão logo ali, ao virar de cada esquina, na pessoa que espera, à chuva, uma oportunidade para atravessar a estrada, com chinelos (daqueles negros, que se compravam na feira, típico das mulheres do campo), os pés molhados, olhos semicerrados devido à chuva que fustiga, que magoa. Páro o carro, levanto a mão esquerda fazendo sinal para a senhora passar e eis um sorriso! Um sorriso que rompe o negro dos pensamentos perdidos... E mais à frente, outro sorriso e outro e outro! Estão lá, à espera que eu passe por eles e os convide a bailar nos meus olhos...
Por vezes páro para alguém passar, mas apenas depois compreendo que é um vulto, que não me vê, que não se vê, e sigo viagem...
Os putos correm e fogem da chuva, abrigam-se uns aos outros, com pesos de conhecimento às costas, com sorrisos matreiros às meninas que passam, encolhidas, umas contra as outras, sob o mesmo guarda-chuva...
Um ou outro carrinho passa guiando mais uma ou outra pessoa apanhada no consumo do supérfluo, fugindo à chuva...
O meu vidro começa a ficar embaciado, abro um pouco o vidro... Estas bolas ou lá o que são teimam em correr à minha frente, por vezes fortes, tão fortes que me fazem ferir os olhos.
A estrada deixa salpicar a água, salta para os lados à medida que as rodas a calcam e calam, num silêncio abafado... Outros carros cruzam-se comigo e levam dentro caras fechadas e sisudas...
Um trovão faz-me voltar à realidade, à vossa realidade e antes que as palavras fujam para a companhia dos sorrisos, eu escrevo-as aqui...
Por vezes páro para alguém passar, mas apenas depois compreendo que é um vulto, que não me vê, que não se vê, e sigo viagem...
Os putos correm e fogem da chuva, abrigam-se uns aos outros, com pesos de conhecimento às costas, com sorrisos matreiros às meninas que passam, encolhidas, umas contra as outras, sob o mesmo guarda-chuva...
Um ou outro carrinho passa guiando mais uma ou outra pessoa apanhada no consumo do supérfluo, fugindo à chuva...
O meu vidro começa a ficar embaciado, abro um pouco o vidro... Estas bolas ou lá o que são teimam em correr à minha frente, por vezes fortes, tão fortes que me fazem ferir os olhos.
A estrada deixa salpicar a água, salta para os lados à medida que as rodas a calcam e calam, num silêncio abafado... Outros carros cruzam-se comigo e levam dentro caras fechadas e sisudas...
Um trovão faz-me voltar à realidade, à vossa realidade e antes que as palavras fujam para a companhia dos sorrisos, eu escrevo-as aqui...
2005-10-12
Pensador russo
Tese de um pensador russo que, no início do século passado, já falava em auto-conhecimento e na importância de se saber viver.
Dizia ele: "Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento e daquilo que, realmente, vale como principal."
Assim sendo, ele traçou 20 regras de vida que foram colocadas em destaque no Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris.
Dizem os "experts" em comportamento que quem já consegue assimilar 10 delas, com certeza aprendeu a viver com qualidade interna. Ei-las:
1. Faz pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repete essas pausas na vida diária e pensa em ti, analisando as tuas atitudes.
1. Faz pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repete essas pausas na vida diária e pensa em ti, analisando as tuas atitudes.
2. Aprende a dizer não sem te sentires culpado ou achares que magoaste. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.
3. Planeia o teu dia, sim, mas deixa sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de ti.
4. Concentra-te apenas numa tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os teus quadros mentais, exaures-te.
5. Esquece, de uma vez por todas, que és imprescindível. No trabalho, casa, no grupo habitual. Por mais que isso te desagrade, tudo anda sem a tua actuação, a não ser tu mesmo.
6. Abre mão de seres o responsável pelo prazer de todos. Não és a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimónias.
7. Pede ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.
8. Diferencia problemas reais de problemas imaginários e elimina-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.
9. Tenta descobrir o prazer de factos quotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que é o máximo a conseguir na vida.
10. Evita envolveres-te na ansiedade e tensão alheias enquanto ansiedade e tensão. Espera um pouco e depois retoma o diálogo, a acção.
12. Entende que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca.
13. É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente, pelo menos num raio de cem quilómetros. Não adianta estar mais longe.
14. Sabe a hora certa de sair de cena, de te retirares do palco, de deixar a roda. Nunca percas o sentido da importância subtil de uma saída discreta.
15. Não queiras saber se falaram mal de ti e nem te atormentes com esse lixo mental; escuta o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.
16. Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é óptimo ... para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.
18. Uma hora de intenso prazer substitui sobejamente 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não percas uma oportunidade de te divertires.
19.Não abandones as tuas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé!
20. E entende, de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: tu és o que te fizeres ser!
2005-10-03
Pela manhã
Eu estava em pé, ao balcão, rindo-me baixinho dos velhos que jogavam damas, em torneios mais que a honra, de vontade de viver.
Pelo canto do olho vi-o chegar, a bicicleta maior que ele, que o obrigou a parar junto do passeio, encostar a bicicleta e pousar um pé (o direito), alçando a perna para trás, por cima do assento, e ficar em pé, meio ofegante, meio ausente.
Segui-lhe os passos, entrou no café descendo os dois degraus, com um olhar mais ausente ainda.
Andava como se o ar que respirasse fosse diferente de quanto em cima da bicicleta, na sua nave.
Ao chegar ao balcão tirou a carteira, abriu-a (o som do velcro fez-me arrepiar) e ficou à espera que o atendessem.
Era a Maria, a revista, que queria, e pagou-a com uma moeda que não vi.
O olhar quase nunca saiu do chão, mesmo para receber o troco.
O chapéu tapava-lhe o cabelo claro, sujo, espesso, que caía sobre os ombros, numa camisola gasta e suja e esta morria nas calças de ganga, russas, gastas e sujas também.
O olhar era claro, verde, e a cara familiar, piramidalmente invertida, com olhos salientes, muito abertos, perdidos, raiados pelo ar desconhecido que o envolvia.
O nariz era pequeno, fino, e um pouco elevado.
A testa grande e saliente também.
As maçãs do rosto elevados eram bem características, assim como a ausência de bochechas (não sei o que chamar ou como dizer, esta foi a descrição que consegui arranjar), uma boca pequena, quase sem lábios e um queijo pontiagudo e nada saliente.
Por momentos olhou para mim, talvez sentisse que eu o observava, quando o seu olhar cruzou com o meu senti-o, vago, distante, estrangeiro, numa viagem longínqua.
Durou poucos segundos, o suficiente para o trazer comigo.
Ele virou costas, dobrou duas ou três vezes a revista, procurando a melhor maneira de a guardar no bolso, de forma à mesma não cair quando se sentasse na bicicleta, na sua nave.
Arrancou e eu voltei ao meu jornal.
Curioso, espreitei pela janela para o ver afastar e, lentamente, apenas a meus olhos, levantar e desaparecer por entre as poucas nuvens que existem pela manhã.
Pelo canto do olho vi-o chegar, a bicicleta maior que ele, que o obrigou a parar junto do passeio, encostar a bicicleta e pousar um pé (o direito), alçando a perna para trás, por cima do assento, e ficar em pé, meio ofegante, meio ausente.
Segui-lhe os passos, entrou no café descendo os dois degraus, com um olhar mais ausente ainda.
Andava como se o ar que respirasse fosse diferente de quanto em cima da bicicleta, na sua nave.
Ao chegar ao balcão tirou a carteira, abriu-a (o som do velcro fez-me arrepiar) e ficou à espera que o atendessem.
Era a Maria, a revista, que queria, e pagou-a com uma moeda que não vi.
O olhar quase nunca saiu do chão, mesmo para receber o troco.
O chapéu tapava-lhe o cabelo claro, sujo, espesso, que caía sobre os ombros, numa camisola gasta e suja e esta morria nas calças de ganga, russas, gastas e sujas também.
O olhar era claro, verde, e a cara familiar, piramidalmente invertida, com olhos salientes, muito abertos, perdidos, raiados pelo ar desconhecido que o envolvia.
O nariz era pequeno, fino, e um pouco elevado.
A testa grande e saliente também.
As maçãs do rosto elevados eram bem características, assim como a ausência de bochechas (não sei o que chamar ou como dizer, esta foi a descrição que consegui arranjar), uma boca pequena, quase sem lábios e um queijo pontiagudo e nada saliente.
Por momentos olhou para mim, talvez sentisse que eu o observava, quando o seu olhar cruzou com o meu senti-o, vago, distante, estrangeiro, numa viagem longínqua.
Durou poucos segundos, o suficiente para o trazer comigo.
Ele virou costas, dobrou duas ou três vezes a revista, procurando a melhor maneira de a guardar no bolso, de forma à mesma não cair quando se sentasse na bicicleta, na sua nave.
Arrancou e eu voltei ao meu jornal.
Curioso, espreitei pela janela para o ver afastar e, lentamente, apenas a meus olhos, levantar e desaparecer por entre as poucas nuvens que existem pela manhã.
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