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A mostrar mensagens de Janeiro, 2009
Dos desejos anseio os que ainda não possuo, o aguardar tumultuoso pelos dias que irão banhar os rios das minhas utopias. Chove lá fora, como pétalas de uma flor não germinada, queimando tempos e etapas e quadros rústicos de quem se atrasa na demora. Aguardo a espera, vivo no presente os quotidianos futuros, soçobrando prematuramente antes as fiadas invisíveis que constroem meus moinhos, muros... Que da vida se esqueçam meu nome, um cravo e ferradura e sonho, um pronome. Quando acordar o desperto e sorrir-me o desejo, serei já do leito, feno e forquilha sepultado num só beijo...
Sei-te minha, noite, no interregno da madrugada onde uiva a neve, no afável sorriso gasto pelos sonhos que esvoaçam a quem nada pede. O cansaço e a ironia, a ténue fachada urbanística que são as dedilhadas rugas de um abraço. Sigo trilhos e caminhos por onde urdi no futuro, entre fugazes e eternos que teci pernoitam, algures do lado de lá do (meu) muro. (ps.: este sim, deu-me prazer escrever... )
Vi ontem, na televisão, por terras de meu coração (Alvão), um pastor, cara voltada ao chão, a timidez de se ser grande, respondendo à pergunta da jornalista ("E isto causa-lhe prejuízo?") com "É ao gado, que não tem que comer"... Eu sou daquilo, de pastos que crescem, mesmo com a neve. Voto à pobreza a minha sobriedade, casto o pasto em que te deitas na dureza da tua idade. Vento o ar e o trombar e as cruchas ébrias de saudade, faço-te de mim eu para que não pare o tempo em qualquer estrela que nasceu... Ah, como te subjugo, à vontade e vaidade de rodar sobre o vácuo! Que de minhas mãos pende um jugo e dos olhos algo, nuns temperam a vida, em mim saboreiam as pequenas covas do teu pranto. Estou pronto!
Há tanto tempo que a noite adormeceu e me deixou aqui, desperto, à espera da minha madrugada.
Tinha algo especial para deixar aqui... Não é bem especial, era apenas um aglomerado de histórias e estórias que queriam nascer... Sinto as contracções na alma, sinal que querem sair, mas, paciência, o adiantado da hora (para quem tem que se levantar cedo amanhã) e o facto de só voltar aqui domingo (sábado também vou ter que trabalhar) só me permite desejar-te um bom fim-de-semana, o parto virá depois, talvez em forma de olhares adormecidos nos montes de Valpaços e Chaves Sei que passas aqui, sinto-o, lês, por vezes comentas e é por isso que agradeço ... Fica bem e até breve.
Canto inebriado a sobriedade da vida, ondulo como o vazio repleto de vozes caladas que cegam meu escrever. Rotundo o sentido desnivelado e a vapor, claqueando palavras na perceptível noite para que se inicie o espectáculo, degredo vazio ao público atento e hirto. A vida cala-me o sorriso e eu sorrio à socapa no esconderijo da tua madrugada, sou-te do telhado um Zé e tu, acesa, a clave de Sol que me conduz em Ré...
Terias olhos de criança e eu asas de cedro, mudas de escutar espectros raiadas de um Sol, esgotadas e verdejantes da neve que corre correndo, enquanto outros vivem morrendo. Quadras de versos e rimas orfãs de mim, que sou poema nocturno, de tacteados sonhos acesos. Acorda-te em mim, que adormeço sem te ver, palpebreando o ardor e expondo a cru, o gesto nu de ser carícia, a humilhar o azedo meu chamando-lhe delícia.

Recantos

Ouço pelo enésima vez o tema " Stand by me " do projecto " Playing for change ". Convenci-me que iria escrever hoje e, para acompanhar o ritmo bater dos dedos nas teclas, youtubei a música e fiquei a ouvir... Depois reparei que o GrandPa Elliot tem uma meia de cada cor e, lá ouvi novamente. Depois fui ver se os índios que tocam tambor fazem-no com alguma espécie de pena... E assim sucessivamente até perceber que é quase meia-noite, o sono aguarda-me encostado à ombreira, ansioso por se encontrar com os sonhos da Ana que, a esta hora, vai já saltando de estrela em estrela. O "mal" de não me permitir escrever com outra cadência, a não ser as palavras que vão cardindo de quando em vez os pixels cinzentos da minha memória, leva a que todos os episódios gravados na alma se acotovelem para sair. Este nao não fiz qualquer resolução de ano novo, limitei-me a comer as uvas-passas de uma só vez, a beberricar um pouco de champanhe (sem conseguir evitar o esgar de

Paz... Tu, a Paz, em mim, em todos.

Recebi esta jóia, que me emocionou, porque estamos todos acima de crises e conflitos, se quisermos, sermos, Ser a paz, a Paz, em mim, em todos... Estou de volta .