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A mostrar mensagens de julho, 2011

Era noite, que dia seria?

Era noite, que dia seria?, e as movimentadas estrelas apressavam-se para receber o sonho, ainda que pálido, de erguer ao céu uns braços cálidos. É de quem a madrugada, do silêncio que se alimenta de mim, das vozes que pousam num despido jardim, das pessoas sem gente dentro que gravitam num vácuo sem fim? Seria dia, que noite era.
Cerrou-se o monte sobre a sombra, já a torga se recolhe ao Miguel, o vento aninha-se de encontro à Lua e deixa cair o suor de uma vida de trabalho, que passa num dia ainda por nascer. Os dias são clausuras de liberdade, momentos nos quais as estradas que serpenteiam sibilam e aplaudem o lauto esforço de quem se faz trajecto, para que outros tenham caminho.
Sinto falta de escrever como se de água me esvaísse na sede dos meus dias... A necessidade da palavra, garatujada, na palma das mãos, que me conhecem tão bem. Vai-te vida, na felicidade que se contém, que não te prenda eu à barra, no cais musgado do inverno que a mim se amarra. Só a noite sussurra. O silêncio que me cura. Boa noite.
É com as folhas que me batem na janela que desperto para a necessidade gratuita de ser árvore, de ancorar no universo porque me fogem as estrelas das pétalas.
Ainda não tinha saído do meu escritório sem janelas... E no meio de uma dor de cabeça, vou lá fora e vejo que chove, a temperatura desceu, está vento e, no meio de um dia de Verão, este frio é calor para a minha alma.