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A mostrar mensagens de Janeiro, 2013
Foi pelos celeiros da vida que pernoitei sem saber dormir. Acordar e ver, pelo vão das escadas, os passos que não soube calçar. Há um caminho, uma estrada, um percurso, uma casa que não me sabe habitar. Pelos ladrilhos que com nevoeiro construo, vou gotejar aqui e ali a chuva que me constrói.  A linha da vida que golpeei nas mãos, magoa, mas não dói.
Finalmente, pelos passos que o frio foi dando, parecem ter nascido gotas de um calor que ecoam como passos numa rua estreita, ladrilhada pelo tempo com rugas de passos cansados, que me deixam passear pelo vazio, como quem tacteia na escuridão sabendo que vai encontrar respostas às perguntas que ainda não sabe que vai fazer. Vou caminhando, ainda que não a pé, por todas as veredas que sei existir. Há sempre alguém que ergue um sobrolho e me convida a entrar para o calor de um abandono, não que doa solidão, mas porque faz falta um pouco mais de vácuo onde já nada existe. Somente não existindo se sabe que o destino será bem vindo.
Porque há muito não vinha aqui... Corre-me teu corpo como um vento tardio, entre a chuva e o estio. O sorriso que perfumas no olhar dentro de mim, saberás quantas noites me doeu a solidão, no tactear nocturno que desconheço, neste início pelo fim? Vou-te tendo no vazio e nos caminhos que devoro, entre casas xistosas e lágrimas e horizontes quentes onde não moro. Quero a vida que sobrevive no trilho entre trilhos e nas tuas mãos onde teus dedos são todos os meus filhos. E adormeço à força, perdido em terras de gente estranha estranho meu respirar e até meus céus ausentes de te verem parecem nem saber olhar. Saboreia-me agora a escuridão e o crepúsculo, toldado pela ausência, não tem forças para nascer na minha mão. Vem ter às nuvens que conhecemos, às margens ténues da adolescência, onde se escontram sozinhos os abraços que jamais demos.
Ainda que me doa o acordar é pelo sonho que me vivo, no momento de me ter escrito separar o vulgar de um sopro inaudito cá te almejo por entre mim fugindo do destino que soçobra altivo, és planeta que se expande num botão de Universo que plantei no meu jardim.
Estava tanto frio e o vento levantava-se de forma tão arrogante, que a própria chama me pediu para a guardar.
Começo a olhar com profunda inveja para as nuvens, a vontade imensa de ser chuva, natureza, mãos sujas e uma gota de suor. Há-de haver vida além.
Custa-me perceber o porquê de, ainda, ter que alimentar um sistema, ao invés de andar por aí, a deambular por entre a vida, um dia de cada vez.