2013-07-24

e(mar)anhado

Passei por ti,
quase não te via pelo emaranhado dos meus pensamentos,
é entre os passos de ontem até ali
que cinjo a vida aos breves inaudíveis momentos
e te encontro no olhar de um desconhecido,
sabes, não sabes?, que te levo sempre comigo...

Ateízado

Acabo de saber, pelo tempo, que vai longe ele mesmo. 
Acredito que se tenha ateízado e desistido de acreditar em nós. 
É-me fácil imagina-lo em cima de uma oliveira, olhando distraído para os dias que conta num rosário de caroços, sem saber que a sua crença num propósito maior sobeja pela metade do que lhe falta. 
Faltamo-nos uns aos outros, sem agressões, que de arbitrariedade estamos nós mal servidos, mesmo sem palavras, daquelas que não sei articular.
Sim, acho que o tempo, sempre ele, se moveu e deixou esbater acima do xyz, para ver o que faríamos nós, ou Nós, se nos soubéssemos eternos. 
Começando pela singularidade, só se nos arrancassem à dentada o ego poderíamos ser próprios, não propriedade. 
E terminando na pluralidade, só se nos pintássemos de cegueira, nos queimassem os odores com os grilhões em brasa, para que não nos víssemos, cheirássemos e assim podássemos os ramos e partidos, para sermos cada um e o outro.
Folgo saber que não estou só, alguém se sabe que não me sabe ler.

2013-07-12

Colmeal

Vem escuro, céu, gente, pela madrugada acima até alcançar os colmeais onde passo as minhas noites, aquecido pelo sabor da terra, que dá liberdade às suas raízes.

2013-07-09

aba(fada)

O sal continua a temperar uma estação,
a estiva desenrola-se transpirando uma tarde abafada,
vazio este estio verão
de gente rica que se veste de nada.

2013-07-06

Traz os montes (para aqui)

Há uma certa cumplicidade entre o que somos e o que vemos. 
Como se todo o caminho poeirento se engalanasse para receber novos olhares. 
Não pela pedra de onde brotam casas ou castas, mas pelo restolhar do vento nas vinhas e pela terra que se levanta em forma de pó e faz sentir, a cada golfada de ar quente, que em Trás-os-Montes nenhum ser está só.

2013-07-05

M(atad)ouro

Pela calada da noite, enquanto dormes, apoderam-se de todo o vazio que possuis para te possuírem. 
Entram pelos olhos, sem que os vejas. 
Pensas pensar, mas de ti apenas o eco vago do circo, do pão, de uma vida inteira que te passa a correr para te vestir de ouro, quando na verdade te guiam pelo matadouro.

2013-07-04

Auguro

É da simplicidade
o grito,
despir as vidas pelo suor do não vivido,
sonhar caminho e percorrer o olhar que omito
saciar a sede sem nunca ter bebido.

É por te saber futuro que tenho saudade,
escrever na ponta do que auguro as sombras matinais na cidade,
celibatário, o fértil e arenoso cimento percorre feliz os dias dos adormecidos,
cantando ao vento ventos já idos
e assim, todos os dias, a sua verdade à vida atira
sem saber que a cada inspiração desfalece
porque a verdade que inala
é mentira.

2013-07-03

Mundo...

O mundo parece ser um mar de números e contas, de ratings e taxas, de macambuziadisses e egoismitismo. Que bom não saber nadar nestas águas.