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A mostrar mensagens de Janeiro, 2007

Cubos de todas as cores

Chego à tua beira, tens os olhos cansados e nublados por sonhos que nunca viveste e que teimam em bailar na tua retina. Olho-te de cima, como há nunca o fazia, e conto-te coisas simples, como a finta do Quaresma ou a primeira final do Porto na Taça dos Campeões. Ou as novas descobertas sobre o ADN e a Física Quântica, falo-te das teorias de conspiração e ris-te, é capaz, é capaz. Conto-te novos sonhos e projectos, como quando me ensinaste a ler com os cubos em madeira, onde desenhaste letras de várias fontes e tamanhos. E nestes momentos já os teus olhos brilham e as sombras que nublam os teus sonhos dispersam-se. Nada mais te faço que semear a mesma alegria com que me ensinaste, mesmo sem o saberes. E assim sou feliz.

Caronte's sons

Vestia de preto a noite quando morreu nos meus olhos. As escadas cadentes acompanham o ritmo das sombras e sorriem, os ruídos do silêncio ficam impunes enquanto os punhos, cerrados em raiva, adormecem os sonhos no ameno travo do malte. A distância, feliz, recolhe-se à falsidade verosímil que amputa o horizonte, para que os que nascem na barca sejam os filhos da vida perfilhados por Caronte. Petrifica-me a mão que não vejo, porque morreu-me nos olhos o desejo...

Das palavras que vibram

Enquanto os sons ecoam voam e molham-me a alma, a ternura da noite que me abraça adormece o calor nas costas da vida, onde sonha. Longe as mãos e o dourado deambular, de um sorriso que outro eu quer abraçar, das palavras que vibram apenas no palato, da frase que codifica o amplo deserto, das passadas águas sob pontes tantas, resta apenas o sal que água leva, e vai à sílaba afluente de cristalina...

Esquecimento

Há muito minhas mãos esqueceram e meus olhos voaram, dos caminhos nublados às estradas, então, desconhecidas outros sentidos acordaram. Nada do que vagueie é vago, nem as sombras fugidias que dançam nas mãos, tão pouco a memória que sorri na calada da noite, quão distantes os senãos. As metáforas subjugam o sentido do olhar, enquanto as mãos ainda afagam os acasos da vida, os ocasos esmaecidos bailam no compasso lento do deambular no infinito, deste segundo um momento...

Feather theme

Títulos e linhas, palavras e sentidos, tudo armazenado em vários ficheiro de texto que, invariavelmente, morrem sozinhos, esquecidos no computador. Isto é fruto de padecer de um mal, o de falar comigo mesmo, o que faz com que aquilo que gostaria de escrever fosse dito e, assim, já não escrito. Chego perto da Farrusca, deitada ao Sol, pouco faz além de abanar o rabo contra a parede, à espera de um afago. Falo-lhe e ela levanta a cabeça, à espera da habitual carícia no pescoço. Por vezes nem falo, fico a olhar para ela a sorrir e ela, sem que eu me mexa, levanta-se e encosta a cabeça às minhas pernas e fico, assim, ainda a sorrir, com os olhos fechados, partilhando com ela o prazer de estar ao Sol num dia de Inverno. Esta minha característica contemplativa, faz com que me veja a passar por locais e olhar, reviver situações e emoções, como ontem. Apesar das mudanças impostas pelo tempo e o progresso em forma de asfalto de auto-estrada, encontrei uma escola primária onde vi o futuro e