Vou, sempre, não ido, mas vou, a palavra. Vou sem ir, aqui, contemplando, contemplo e ando, com templo... Sacio a ternura de ter uma vela cambaleante pelo aspirado suspiro alheio. Creio. Por aqui, no caminho do meio, não sei o que tacteio. Caminho que não eu, não meu. Vou, sempre, não ido, mas vou, a palavra. Eu.
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Onde quer que vá
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Crónica de domingo na Bird Magazine . Encontro-me, invariavelmente, de regresso a mim mesmo a meio caminho de me descobrir ao encontro de uma parede, preso por palavras, acorrentado a frases que se pronunciam a cada silêncio que me bate no para-brisas em forma de gotícula, ainda não húmida, porque a textura da água caberá a mim grafiar, gota a gota, aguaceiro a aguaceiro. Pouco me interessa a companhia do tempo. Ele, tempo, aborrecido, senta-se a meu lado enquanto o conduzo pela minha vida fora, fora e dentro. Há pouco que lhe diga. Um olá, talvez, a cada madrugada em que ele me acorda para eu o poder ver na matematicalidade do relógio digital. São 1:23, 2:34, 5:55, 6:54. Não achas engraçado? Sim, acho, respondo-lhe, agora deixa-me dormir novamente. E ele encosta-se às paredes, desaparece atrás da sombra do móvel, que é lugar de tempo, para somente acordar quando me decidir levantar como quem opta por virar em qualquer direcçã...
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O caminho está para mim como eu estou para o caminho, pendente de cadência e cadente de pendências, como estrelas num céu diurno, lá, sem se verem, a brilharem um lusco fusco que ninguém poderá admirar. Por vezes, apenas por vezes, gostava que as palavras não me metaforeassem e se limitassem a escrever que, do lado de cá da atmosfera, há quem se preocupe se as estrelas brilham por brilhar ou se as palavras são como o silêncio, em silêncio devem estar.
Contigo
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in Bird Magazine . Olho várias vezes para as minhas mãos, questionando-as. Não sei se da preguiça ou por parte do cansaço, há sempre um medo do que serão capazes de fazer, de olhar. E olhar, que me leva para dentro de ti, traz um misto de vidas iguais em vidas diferentes. São tantos os momentos de tangência, que fico sem saber ou discernir, qual a sobrevivência que vivo. Anima-me pensar (acto de ser igual a uma imagem) que, de facto, pouco há a compreender da vida. Afinal, o caleidoscópio por onde espreito a luz é apenas a face de um dodecaedro. E eu, que gosto de matemática, fico feliz com isto. No meio de todo o silêncio faz-me falta serenar, estar a sentir o vento (e por falar nisto, roí-me de inveja do senhor que conduzia um tractor, no meu caminho de casa, com menos um farol, um arado a deitar terra na estrada, o cigarro apagado no canto da boca, uma mão a segurar as abas do casaco junto ao pescoço e outra no volante) e deixar-me falar com o vazio. Curioso como quando estou sozi...
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Esqueci o sabor do abandono, quando chove cheira a terra abandonada molhada, a terra e a abandonada. Molhada. Já nem mosto espremo da vintageidade a que me cavernizo, pensei que fosse de carvalho a madeira tanoeirizada, mas é um composto qualquer, sem posto, sem pousio outro que não o descanso e a saudade de me ver com sabor. A mar. Amar. De vida bebida a lua, saudade, minha, vales-me Tua. Não me sabendo serpentear vou-me tolhendo, folheando, crescendo ao cimo de um regato, talvez encontre em mim quem sou, de facto.
É pi só dios
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in Bird Magazine . Há um cão que vagueia na estrada, desatento, arfando como quem sorri ao patear o asfalto, de costas para o trânsito. Negro como a noite, dia não fosse, diria que me sorriu, o bicho. Há um Sol que se espreguiça de encontro a um muro, como que se lembrando que é quase Outono e as pedras do muro são quentes ao final da tarde. Sol, de sol em sol, até se aninhar rendido no olhar de quem se acriança. Há um sorriso de uma criança, que recorda com satisfação, de olhos fechados, o primeiro almoço na cantina da escola. Há um atirar para o restolho dos restos dos dias que vivo. Quatro vidas se vivem, em quadras que jamais escreverei. Quatro, que quatro mil, quatro milhões que fossem, que ao me atirar para esta vida, ficou de mim no lado de lá aquilo que jamais emergirá. E a vida que se atiça aos dedos, saltando, tecla em tecla, letra em letra, sem que se dissipe o nevoeiro que trouxe ao cais dos meus olhos uma palavra. Há. E isso basta-me. * Os bancos de jardim, do mundo, r...