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Simplicidade

Enches-te de alegria com coisas pequenas e é isso que te faz grande.

Rain in a sunny day

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Chovia tanto que ele pensava morar no fundo do mar, separado do infinito azul líquido por uma fina tela de vidro. O vento, quando uivava, parecia um navio e, assim, fechava os olhos e imaginava-se num barco, daqueles pequenos, onde não cabe um remo, apenas existe um pequeno espaço para um punhado de sonho e ilusão. Quando a ondulação o embalava ele deixava-se adormecer, para logo depois acordar, dentro do mar que é o peito de quem sonha.  E assim, enquanto dormia, o sonho e ilusão saltavam, como peixe acabado de pescar, e caíam novamente ao mar, deixando-se cair ao sabor da corrente, para que outros que não dormissem os vissem lá no abismo onde habitavam e pudessem, também, sonhar. Acordava e via-se no barco, ondulando, mas no momento em que olhava para o seu pequeno barco e não via o seu punhado de sonho e ilusão, acordava.  Para se ver encostado ao vidro, contra o qual o vento atirava pequenas gotas de chuva.  E estas, cansadas, escorregavam e contavam-lhe b...

Cold night blues

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Fogem de mim, os olhares da noite e as mãos frias, o aceno fugidio da mentira e a lágrima que já ida nem de mim me tira. A névoa das pessoas e máscaras, a chuva que inunda a noite, pintada de verdade, quando cair no vazio verá, uns olhos cavados e mãos, em desespero, agarrando a vida que a outros tirou...

Até um dia destes

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Olá.  Parece-me que é a última vez que venho aqui, ao blog, para escrever.  Acho que me cansei de cultivar o lado bucólico da vida neste espaço virtual.  Inevitavelmente, nada é evitável, digamos que faz parte da vida sermos assim, uma sucessão de dias e horas, segundos e noites, sonhos e pesadelos.  Confesso que esta deve ter sido a primeira vez que me sentei em frente ao computador sem um motivo, ainda que muito distante do meu fio condutor, para escrever.  Sentei-me e assim fiquei, a olhar, sem qualquer história para escrever, sem qualquer sonho misturado com música e flores que nascem nas encostas das estrelas.  Orgulho-me de continuar, por aí fora, sendo eu mesmo, com mais ou menos pontapés na boca, mas escrevendo em meu nome, comigo e para mim. 

Cubos de todas as cores

Chego à tua beira, tens os olhos cansados e nublados por sonhos que nunca viveste e que teimam em bailar na tua retina. Olho-te de cima, como há nunca o fazia, e conto-te coisas simples, como a finta do Quaresma ou a primeira final do Porto na Taça dos Campeões. Ou as novas descobertas sobre o ADN e a Física Quântica, falo-te das teorias de conspiração e ris-te, é capaz, é capaz. Conto-te novos sonhos e projectos, como quando me ensinaste a ler com os cubos em madeira, onde desenhaste letras de várias fontes e tamanhos. E nestes momentos já os teus olhos brilham e as sombras que nublam os teus sonhos dispersam-se. Nada mais te faço que semear a mesma alegria com que me ensinaste, mesmo sem o saberes. E assim sou feliz.

Caronte's sons

Vestia de preto a noite quando morreu nos meus olhos. As escadas cadentes acompanham o ritmo das sombras e sorriem, os ruídos do silêncio ficam impunes enquanto os punhos, cerrados em raiva, adormecem os sonhos no ameno travo do malte. A distância, feliz, recolhe-se à falsidade verosímil que amputa o horizonte, para que os que nascem na barca sejam os filhos da vida perfilhados por Caronte. Petrifica-me a mão que não vejo, porque morreu-me nos olhos o desejo...

Das palavras que vibram

Enquanto os sons ecoam voam e molham-me a alma, a ternura da noite que me abraça adormece o calor nas costas da vida, onde sonha. Longe as mãos e o dourado deambular, de um sorriso que outro eu quer abraçar, das palavras que vibram apenas no palato, da frase que codifica o amplo deserto, das passadas águas sob pontes tantas, resta apenas o sal que água leva, e vai à sílaba afluente de cristalina...