Mensagens

Rainy day #5

Ando para aqui a mexer de um lado para o outro no computador, sem me decidir a escrever... Abro o bloco de notas, escrevo e apago, saio e vou jogar "Solitário Spider", regresso, escrevo e apago, saio e vou dar uma vista de olhos nos meus documentos, nos ficheiros da pen-disk... E enquanto me mantenho longe do bloco de notas, todas as ideias surgem na minha mente, prontas a serem escritas, como se, inclusive, o facto de pensar fosse quase como escrever... Até que percebo que estou a procrastinar, a adiar, como se devesse escrever o mais perfeito dos poemas ou a mais fluente das prosas, afinal, escrever aqui é mostrar ao "público" e aquilo que mostramos diz muito de nós... E é assim que, dia após a dia, sem medo algum, me conheço melhor, estando atento a tudo o que penso, a tudo o que crio mentalmente. É como se vasculhasse o meu porta-cd's e visse que tenho alguns cd's riscados, demodées, que continuavam a tocar... Tinha um outro texto para "postar...

Porque não sou

Sou o frio, a chuva que me aclara o dia, as gotas no pára-brisas que codificam o respirar, a terra molhada e os horizontes aos quais me prostro. As ruínas crescentes e os sorrisos carentes, o uivo da noite e apenas as estrelas como companhia, uma mão cheia de sonhos e o murmúrio da utopia... Ainda que vagueie não me falta o rumo, o ondular das veredas e a sombra fugidia do simples, o orvalho e o relento são dos próprios olhos meu alento. Sou, porque sei que não sou...

Rugas do dia

A noite ainda é minha, disse-me o reflexo do olhar nas nuvens e até as estrelas sussurravam, voltou... O silêncio do relâmpago e a cegueira pálida do trovão, as gotas que me sorvem dormindo na palma da minha mão. Os traços finos das rugas do dia, o cabelo sedoso do sonho na minha face e o olhar que nunca partiu...

Segredos

Há coisas que, em geral, não se sabem. Porque se omitem, porque se escondem ou porque simplesmente são tão diferentes que por não termos capacidade de as compreender, simplesmente não as vemos.  A minha escrita, por bonita ou feia que seja, nem sempre é minha, apesar de versar quase sempre o Amor, a procura de algo ou alguém, o questionamento, o auto-conhecimento, entre outros. Todos temos os nossos segredos, a minha escrita será uma delas. Ou se calhar nem a escrita, mas as frases que ela contém e entre versos e palavras, letras até, tenta-se levantar o véu, respirar um pouco, à espera que o poema vá, percorra a estrada que deve percorrer. Enfim, segredos. O maior segredo que todos possuímos, é saber que temos uma imensa força e simplesmente não a utilizamos.

Respirar

Recebe-me a placidez dos dias de Inverno, ternamente ondulam, nos cabelos soltos de fantasia, as ausências prescritas pelo adeus. Neste vaivém quasi-eterno de sorrir e encontrar, de mim ao mundo, comovo-me com partículas nos olhares que julguei nunca ver... Vivo, sonâmbulo, até ao momento em que olhas e me afundo no mundo, para vir à tona da vida nadar no meu sonho...

Em olhos de sonhar

Trago no peito um sorriso alado, miro atrás das nuvens e além mar a entrada para o sonho, das quatro faces da claridade e da mão que embala o mundo, ao som da amizade, com o saber da certeza e o travo doce do amor. Agora, mais que acordar procuro nos teus olhos o meu sonhar...

Suspiros na noite

Enquanto as estrelas teimam em não descer tudo em mim é saudade, da música que inebria ao tacto da amizade profunda... Enquanto as estrelas teimam em não descer, eu sou fragmento de mim mesmo, peça incompleta no puzzle da vida, porque de mim são sorrisos vossos e de vocês, ai de vocês, minh'alma em segredos e distantes suspiros, que hoje amigos e amanhã... Amanhã suspiros...