Já todos fomos al(gu)ém. De repente, como quem pisca o olho, 20 anos transformam-se em traves de cimento, gares tecnológicas, pessoas vestidas de botões e cristais líquidos, pregões substituídos por vozes maquinais e toda uma tarde cravada em cinzas, com que prenunciando a erupção de um vulcão que, paradoxalmente, apesar de parecer volátil e prestes a expelir a camada bafienta do outro nós, está ainda tão enraizado em tanta falta de nós no outro.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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