Gostava que o atravessado de um arame pelas folhas de uma videira trespasse também, em mim, a vontade de ser bago, deixar-me pintar pelo tempo, sem que suassem em mim sombras de dias que se vivem apenas ao anoitecer. Louve-se o céu transmontano, que me deixa mais perto de ser estrela.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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