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Uma noite de Primaveril Inverno

Pouso a caneta com carinho, deslizo para baixo dos sonhos e cubro-me com as folhas deste caderno, encosto a cabeça a sorrisos que vi nascer e, então, adormeço. E noite calada murmura-me mundo distantes e abraços quentes, sons abafados que gritam agrilhoados ecoam em becos, secos, de gente e de vida. A ilusão faz-me companhia, caminha a meu lado, dá-me a mão e pede que sorria, mas agora que, felizmente, a noite chega, já os meus sorrisos partiram presos a um qualquer colorido balão, cheio com fantasia…

Dia da Criança

É dia da Criança.  Este deve ser o único que se pode escrever sempre com letra grande. As crianças não são como os homens, que momentaneamente merecem ter o nome escrito com letra maiúscula. As crianças, de tão pequenas serem, têm o nome sempre escrito em maiúsculas. Continuo criança na verdadeira acepção da palavra. Sento-me apenas para ver as poças de água da chuva, pouso os cotovelos nos joelhos e apoio a cabeça nas palmas das mãos. Não preciso desfocar a visão para ver paisagens do lado de lá, que se alteram a cada novo pingo de água. Por vezes, salto para dentro da poça e caio num novo mundo e deixo-me andar por lá, falando com os seres que lá habitam. Continuo criança, simples, que se ri dos nós das gravatas, mas que já não embrulha bens preciosos em folhas de eucalipto para os enterrar debaixo de árvores, como chicletes ou lanternas. Nunca fui agressivo em relação a nada e continuo a não o ser. Sonho ser poeta e andar pelo mundo, conhecer pessoas de verdade e a verdad...

Cobertor

A minha vida assemelha-se a um cobertor pequeno. Se tapo a cabeça, destapo os pés e vice-versa.

A roda

Acabei por iniciar (bela contradição) estas linhas ainda nuas de mim sem dar um título, como se desse à luz uma criança sem lhe saber a forma e o sexo. Vou adiando o que escrevo, tenho as histórias gravadas a tinta no meu bloco e a fogo nos meus olhos. Movo-me até aqui, a este editor, onde vou tacteando o teclado aleatoriamente, à espera que as histórias decidam qual será a primeira letra, como se percorresse um índice remissivo e encontrada a letra, toda a palavra emergisse. Mas não, hoje as mãos são minhas, tenho o poder de escolher o que escrever, de me deixar fluir ao som do cantar do cisne. Por muito que tente. Por muito que saiba que mesmo tentando nunca o irei conseguir. Continuo a pensar que nem com a minha envergadura de braços de quase 2 metros serei capaz de abraçar o mundo e encostar a minha cara a um oceano e sorrir, como uma criança que abraça um presente numa manhã de Natal. Ainda não dei título a “isto”… E talvez isso tenha influenciado o facto de não conseguir e...

De onde não estou

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Por muito que tente, os meus olhos não são mais do que isto... (fotos portal de trás-os-montes)
"Aquele que sabe o que é o suficiente, terá sempre o suficiente." Lao-Tze

I miss Azores

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