O vento queimado
ondula
as cinzas no olhar de quem não se vê,
a fuligem é tudo o que resta.
O respirado matinal
enrubescido
humilha o solitário tição exaltado,
a vaidade morreu.
O firmamento apagado
nubla
a pauta luminosa do que resta ao infinito,
este corpo não sou eu.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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