Acabo de colorir o mundo com cor de tangerina. Vai-se o vento e cai-me aos pés, quase como quem se ensina, e prostrado ergue-me o olhar como se eu, vagueante, pudesse além do soçobrado dar do que não tenho e me mingua, como uma trave de carvalho, queimada, como a pessoa sem olhar, de silêncio queimada.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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