Já a noite se calou, despiu-se sensualmente ainda que ninguém a tenha visto, enfiou-se por entre lençóis e acordou apenas a horas de ouvir alguém clamar por ela. Tornou a adormecer. Necessita de um bom descanso. Ser noite é ter no dia a fantasia, soçobrar ao calor desconhecido, lançar sombras antes de tombar pelos escarpados montes, escurecer todos os horizontes, fazer o gosto a quem pela manhã se cansa ao dizer, que pena, já está a anoitecer
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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