Começo a degustar a pálida timidez de tudo o que me chove, gosto da aridez das palavras que ouço, permitem-me camuflar o silêncio e apreciar ainda mais os valorosos momentos em que me despeço das despedidas e as deixo serenas, em paz, à espera de um outro capataz.
Os dias parecem querer ocupar duas rotações de uma só vez e, talvez por isso, os anos pareçam encurtarem-se à medida que nos aproximamos da distância que nos separe de nós a nós mesmos.
Assim, oh clemência divina, que não creio em acreditar, voto-me à simplicidade da pobreza para sentir que envolta no silêncio é onde mora a riqueza.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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