Deixei que a chuva caísse em quantidade suficiente para me levar os rastos que deixei até chegar aqui. Agora, para trás, num passado que não existe, já não existo. Nada existe. Acumulo em mim tudo aquilo que penso ter havido, no corpo, na mente, na alma. Amanhã, que ainda não há, nem sequer o segundo seguinte, terei um pouco mais de mim, de ti, de quem me vê pregar em silêncio longos sermões ao vento que passa, só para me sentir, novamente. Ontem não existe, não existiu. Hei.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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