O frio altera-se entre o vento e o sol caldo que cai no chão e me prolonga sobre cimento, pedras, terra, pelo de cão e minúsculas partículas de vida, as mesmas que nos rodeiam. Há caminho pela frente. Longas avenidas entre montanhas, lá, onde devem morar os Garrinchas deste mundo, todos os dias, Torga sabia que o Natal é quando o homem quer. E este quer. Natal. Um adro de igreja que resguarde o frio e o convide a tornar-se calor de lareira. Dá-me um pequeno mundo, de varandas sobre um caderno e, lá, deixa-me sobrar de sombra sobre velas.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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