Sei o barulho que o autocarro fará quando parar, conheço de cor os sons dos pneus sobre as tampas assíncronas no pavimento. A voz sintetizada da menina que anuncia as paragens, as mudanças de zona, o zumbido que os auriculares vomitam para fora dos ouvidos, o gemido cansado das portas a abrirem. Não conhecia a voz de alguém que pedia, a uma paragem completamente cheia, do fundo de uma cadeira de rodas: "alguém me pode ajudar a subir a rampa para o autocarro?".
Começo a acreditar que, talvez, o som que penso conhecer seja apenas o rugido lento do fundo do tacho a que chamam vida onde nos fazem condimento e estrugido.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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