Não chegaste a completar um parágrafo, apenas uma pausa breve como uma vírgula e tão prolongada como uma reticência infinita. Talvez por isso, sem saber bem como te escrever, me sinta impelido a procurar nos olhos de outros como tu, as palavras avulsas que se aglomerem em frases. No entanto, parece-me, do pouco que vislumbro ou compreendo, que não te escrevo porque as palavras utilizam letras, grafias estranhas, cuja imaginação constrói unindo imaginariamente as estrelas do céu.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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