A vida, de vida propriamente dita, pouco tem. Paga-se a vida, em vez de a viver. Entrega-se tudo a este bicho nojento e grande, a um sistema que de protector tem muito pouco, quotiza-se a vida, muito cara, sem retribuição alguma e, se um dia ensolarado te faz diferente, o contribuinte encarregar-se-à de te olhar, aterrorizado, porque a liberdade de se ser voador atemoriza. Flutua o teu caminho, sem que te deixes atrasar pelos teus passos arrastados.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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