O tempo ameaça arrefecer e eu agradeço. Tenho comigo Garrincha, que sai à rua quando neva, de tão impaciente, ainda que pacato, transforma-me os dias em granizo, saraiva-me a sua vontade de vaguear por montes, um esmolegrino que pernoita em qualquer recanto, desde que quente, desde que local porque, disse-me ele, há poisos imensos que são nenhures e, confessa-me, o seu verdadeiro poiso (soube-o Torga quando o conheceu em vésperas de Natal) era debaixo do seu casaco, entre a pele e a Lua.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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