E sorriu, por cima da tristeza e das manhãs que se molham mesmo sem orvalhar. Os anos medem-se pelos cigarros que treparam pelos dedos, o arfar ritmado é já batimento de um coração que de tão grande vive fora de si. Não haverá enxada ou ancinho que lhe conheça os calos de cor, nem um sol a pico que lhe veja a sombra. O homem é cajado de si mesmo e busca lá no fundo pelo gargalo, em forma de goteira, o rio que o há-de levar a ribombar pelas margens até chegar ao fim da foz e perceber que o mar é toda a gotícula que nasceu do céu, apenas para orvalhar.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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