E correram, com medo de morrerem, sem perceberem que estavam mortos, condenados desde cedo, por uns longos fios de quem os manietava, sorvendo como quem respira a necessidade que lhe faziam necessitar, corroendo almas e dias com a vida dos outros, olhando e não vendo, agarrando-se à sombra de um sistema que nunca se preocupou em educar, fazer crescer, ensinando a viver apenas por viver, apenas para ser. Por isso, quando chegou o fim, era apenas o esforço de outros, que devagar abriam a porta do contentor sujo e conspurcado e deixavam entrar a luz do dia, descolando das paredes frágeis paisagens que pensavam serem janelas, e recolhiam do chão as assustadas, selvagens, malévolas, frígidas e frágeis crias que somos.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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