Gosto de perceber o tempo adormecido, ainda que espreguiçado, vai gotejando pelos anos sem saber que é monumento. Rosáceas forjadas por mãos retorcidas, corações que não saberão o bater de uma pedra. Acredito que ser igreja, mosteiro, memorial ou aguardente à espera de ser elevada por uma mão cheia de dedos toscos, ásperos, torcidos e cansados, seja coisa para qualquer balada que se deixa cair ao ouvido. Olvido de facto quantas rugas se perderam para que nascesse o cansaço, um abraço, ou tudo aquilo de que é feito um telhado. E pode ser, no telhado, o musgo que se deixa esverdear na tentativa do barro o convidar a ser tempo, adormecido, espreguiçado, para se fazer momento.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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