Teria o vento na mão, se não estivesse ocupado a abraçar tufos de sonhos ou suportando-me na grade de madeira de um alpendre imaginário enquanto cai, dentro e fora, chuva real... De onde serão os ventos que sopram? Do intrincado caminho que se faz caminhando ou dos serões solitários solicitados pela vida? O que me resta é deste e doutros universos, descansando por fim num vazio, num nada, num estado de não existência que se dilui a cada madrugada solta. Ser daqui e de lado algum. Olhar e ver o que não se observa. Ser e não ter. Não há questão.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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