Faço de conta que amanhã, aos primeiros pingos de Sol, vou levantar-me como quem planta o mundo, meter a mão na água fria, lavar a cara, meter uns cotos de madeira na lareira, aquecer o café. E, depois, por entre chuvas e aguaceiros, cheirar a terra, que se perfuma diferente todos os dias e noite, e viver um dia inteirinho, com todos os minutos contados, para chegar ao fim, abraçar uma tigela de sopa e deixar que o sono me vá embrulhando como o fumo a enrolar as travessas do telhado.
Ido futuro
Ternura, trajas vida no olhar e nos passos serenos que é o teu respirar. A mão e o pousio, o sorriso lateral que faz o mundo inteiro surgir, vazio. Saudade e o Outono que trago algures em mim, frutos caídos das noites ausentes e as nuvens, cerradas, que permeiam o vácuo entre o não e o sim. Encontra-me, nas cidades que são as avenidas vazias, entre cada pedra e mão, no ido futuro ou agora, no chão...
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