Escrevi e apaguei o que tinha escrito três vezes, antes de começar a escrever agora, pela quarta vez, prometendo a mim mesmo que não vou apagar isto. Hum, complicado. Hum, vai ficar... Dou um passo e volto atrás. Os poemas saem apenas em forma de música que apenas eu escuto, falta-me transformar as palavras em letras, para que as possa tactear com o olhar. Fruto dos tempos, eu, árvore, dou sementes secas que não sei colher. Coisas, dizem uns, coisas digo eu.
Mantenho a cabeça à tona da água, enquanto este percurso não me leva para outras águas. Esqueço por vezes que tenho corpo cujas mãos precisam tactear o caminho, chego ao destino onde ainda não estou... Coisas de estar de alma, mas ainda não de corpo...
Tenho que semicerrar os olhos para ler o que escrevo, quase como se toda a claridade, por muito ínfima que seja, me ferisse o pensamento.
Prometi que não apagava et voilá, não apaguei (mas custou).
8 comentários:
Não apagues mesmo!
:)
Não vale a pena apagar, porque só nos entendemos quando nos conseguimos ouvir ou ler.
Cumps
acontece-me o mesmo, miguel, mais vezes, muitas mais são as que apago, do que as que escrevo... é a sucessão de tentativas que me ajuda a continuar :) um beijinho.
nunca apagues aquilo que sentes...expressa tudo aquilo que te vai na alma e deixa o grito dos pensamentos brotar esse talento que tens.
Um abraço deste teu amigo.
Parabéns.
P.S.: continuo à espera de mais textos para o jornal
É.
Custa.
Qualquer coisa que se escreve está sempre sujeita a modificações, melhoramentos ou...
ao cesto dos papéis.
O que não aqui o caso, diga-se de passagem...
Um abraço
Miguel
É esse prefecionismo que procura dizer para além das palavras, que procura ver para além das formas e que nos faz sentir sempre imperfeitos.
Mas é um perfecionismo redentor porque não se confina e porque reconstrói.
Ainda bem que não apagaste. Gostei.
Abraço
Ainda bem que não apagou porque está excepcional.
um abraço
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