Fisgas
"Fisgas". (para ler na secção Crónicas do Nada, no Correio do Porto ) As Fisgas tinham ficado para trás. Deixei-as escorrerem-se languidamente observando os mesmos turistas num miradouro recente. O rio tropeçava-se e ainda que a filosofia não o inste a percorrer-se repetidamente sob a mesma ponte, teimosamente completava o seu ciclo hídrico num vaivém aquoso irregular longe da soberania humana. De cajado na mão, a disforme imagem feminina faz-me sinal que julgo ser em aviso de rebanho na estrada. A insistência do levantar do braço leva-me, por consciência, a parar e abrir o vidro do passageiro. À janela, o rosto assustado em permanência, talvez questionando-se o que é o mundo além do redil ou para lá do Monte Farinha, o olhar esbugalhado de um azul-celeste inocente, as frases monocórdicas e sem sentido de uma criança em corpo de adulto. A boca sem dentes abria a fala que eu me esforçava em perceber. As cabras, castanhas, pretas, polvilhavam o asfalto quebrado de pequenos excr...