Mensagens

Sei que Deus escreve direito por linhas tortas, mas tem cá uma caligrafia difícil de entender...

Onde

Navegarei ao infinito nas lágrimas que não choro adormecerei na luz do destino porque habito um corpo onde não moro.
Há um cheiro a montanha no ar, terra fria e musgo húmido pelo manhã.  Há um não sei quê de mim ali e eu não estou lá...

Carranca

O zap, enquanto a comida não fica pronta, resulta por vezes em surpresas agradáveis e muitas vezes com um resgate de emoções que por vontade alheia se vão enterrando na areia que transportamos para as nossas vidas. Paro na RTP Memória, ouço o genérico do Verão Azul e, imediatamente, esqueço-me de onde estou. Por momentos desço a rua (agora tem outro nome, comprido, antes era rua, aliás, todas as ruas eram a rua) com os amigos do costume, assobiando... De repente, sei-o, tenho em mim aquela vontade, ingénua talvez, de ter um barco e um grelhador e lá em cima, do grelhador e das brasas, umas sardinhas, uma música, a vista para o mar e para um punhado de amigos que vão chegando, a assobiar. Pergunto-me em que fase da minha vida passarei a ser adulto, desses carrancudos.

Toque

Nos entrelaçados mundos em que vivo um universo entra-me pelo teu olhar movimenta-se o toque de um nada contigo para no infinito novamente me aprisionar...
Ainda não sei se chove. Apenas ouço o baralhar da rádio. Sem qualquer mecanismo de identificação (que não seja levantar o rabiosque) do tempo que faz, o que fazia sei-o, presencialmente, o que fará acabarei por saber, deixo-me levar pelo guarda-chuva e preparo-me para ir salpicar a chuva com um pouco da minha imaginação. É que a rua pode até ser de asfalto, mas os meus pés calcam é terra, monte, pastos e ainda que seco, deixo-me levar pelo molhado das plantas que me encharcam a alma até ao joelho.
Faz-me lembrar de ti... Como se te esquecesse e, sem me aperceber, nascesses de novo em mim, no olhar.