2017-01-17

Tu que me ouves o silêncio,
entrando
a noite sem cais,
um mar inteiro náufrago
pergunta à espuma baça da maré
onde vais?
Nem me sei escrito
eu que confundo o silêncio com a montanha
grito
onde me cais?
E soçobro à singularidade matinal
a vida na manhã sacia
o arado
o sonho
o Deus
dá-me vontade de outros tantos eus,
no olhado semeado
a inocência infantil aspira
reflexo apaixonado que partira
ausculta
em que nota amais?

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